Volvo: icebergs geram mudança de rota

Os icebergs, cada vez mais constantes por causa do aquecimento global da terra - ?as geleiras derretem e eles começam a se soltar?, explica Torben Grael - provocaram uma mudança no percurso da segunda perna da Volvo Ocean Race, a regata de volta ao mundo. Os sete veleiros VO 70, que disputam a competição, largam na próxima segunda-feira, da Cidade do Cabo rumo a Melbourne (Austrália), mas não velejarão tão ao Sul, como estava definido. Nesta quinta-feira, os organizadores comunicaram a mudança às tripulações, após análise de cartas climáticas. Melhor para os velejadores do barco Brasil 1, que enfrentarão menos frio. Isso fará com que a perna seja mais longa em um ou dois dias, mas também mais segura, sem icebergs no caminho. ?A rota era mais curta e mais ao Sul, desceríamos a 50 graus de latitude. Agora, o way point (limite) passa a ser 42 graus de latitude, o que significa que velejaremos mais ao Norte, num percurso um pouco mais longo?, explica Torben Grael. ?Um portão de pontuação passa a ser o meridiano das Ilhas Kurguelen?, acrescentou Torben, valendo 3,5 pontos para o primeiro. O segundo portão está na costa australiana, nas Ilhas Eclipse. ?O nosso navegador (Marcel van Triest) informou que os organizadores da Volvo fizeram um estudo do gelo, que estão se desprendendo nesse verão austral. E colocaram uma porta a 42 graus de latitude Sul. Isso significa que não podemos baixar muito de latitude, não pegaremos tanto vento, nem tanto frio, mas temos de fazer mais milhas porque esse ponto nos tira do caminho mais curto. O portão de pontuação anterior estava a umas 60 milhas mais abaixo?, acrescenta o timoneiro do Brasil 1, o espanhol Chuny Bermudez, de 35 anos, que já atravessou três vezes os mares do Sul e faz sua segunda volta ao mundo (esteve a bordo do sueco Assa Abloy, em 2001/2002, e do espanhol Pescanova, em 1993/1994). Nesta quinta, o Brasil 1 permaneceu fora da água, na marina do complexo náutico de Waterfront, na Cidade do Cabo, para reparos antes da largada. ?Estamos colocando um cilindro novo na quilha?, informa Torben. Nenhum dos cinco brasileiros que estão a bordo do Brasil 1, incluindo Torben Grael, cruzou os mares do Sul. André Bochecha, sexto na classe 49 na Olimpíada de Atenas, em 2004, não quer ter muita expectativa. ?Só vou descobrir lá. Mas sei que vamos ficar molhados o tempo inteiro, com a água batendo no rosto, e estará muito frio, o que mais preocupa. Estamos levando bastante roupa, própria para isso. No calor é mais fácil trabalhar molhado do que no frio. Tudo o que eu sei de lá vi em livros e vídeos?.

Agencia Estado,

29 de dezembro de 2005 | 15h17

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