Voto, agora, tem de ser fotografado

Esses dias que antecedem a eleição no Palmeiras, que acontece no dia 19, têm sido marcados por situações, no mínimo, inusitadas. A principal delas diz respeito ao embate entre os dois candidatos considerados da situação: Salvador Hugo Palaia e Paulo Nobre, embora o último prefira ser reconhecido como representante do que gosta de chamar de "terceira via". Denominações à parte, no final o que vale é o fato de ambos disputarem os mesmos votos, já que a oposição é claramente representada pela candidatura de Arnaldo Tirone.

Wagner Vilaron, O Estado de S.Paulo

13 de janeiro de 2011 | 00h00

Depois de diversas e frustradas tentativas de aproximação entre Palaia e Nobre, o que se constata em conversas com correligionários de ambos os lados é a grande preocupação com a turma do tapinha nas costas. Ou seja, aquele conselheiro que promete voto para todos.

E como uma das principais características do recente processo eleitoral palmeirense são os resultados apertados, isso faz com que a disputa voto a voto se transforme em uma obsessão. Porém, desta vez alguns se superaram na paranoia.

Para evitar a "turma do tapinha", a estratégia elaborada é simples: alguns conselheiros receberam a recomendação de fotografar seus votos. É isso mesmo! Como o clube utiliza as mesmas urnas eletrônicas que ficam à disposição do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), os palmeirenses com direito a voto são convidados a sacar os celulares e registrar o momento em que aparece a foto do candidato que recebeu o voto.

Pouco tempo atrás, a oposição se mostrava preocupada com essa situação. Integrantes do grupo liderado pelo ex-presidente Mustafá Contursi temiam que votos pudessem ser negociados e que a fotografia representasse a garantia do acerto. No entanto, com os votos da situação diluídos, os oposicionistas se mostram mais confiantes com o resultado favorável a Tirone e abandonaram a ideia de investigar o assunto.

Quem avisa... Antes mesmo de se juntar ao grupo do Flamengo em Londrina, onde o time realiza a pré-temporada, Ronaldinho Gaúcho já recebeu um recado: ele deve dividir as premiações que receber entre os companheiros, sobretudo os mais jovens. A estratégia foi utilizada por Ronaldo no Corinthians e serviu para minimizar os riscos de ciumeira entre os jogadores. O novo camisa 10 rubro-negro ainda não respondeu se vai acatar tal sugestão, mas a expectativa é de que não se oponha à ideia.

A lição de Assis. O assunto ficou velho, mas ainda merece um registro. A conduta de Assis na negociação de Ronaldinho Gaúcho não teve surpresa ou novidade. O irmão e agente do craque apenas expôs publicamente o leilão, metodologia utilizada nas negociações do futebol desde o tempo do onça, como diriam companheiros mais experientes. De seu modo, Assis mostrou para os torcedores que não são ligados nos bastidores da bola e só acompanham o futebol sentado na arquibancada ou no sofá de casa que devem ficar por ali mesmo. A proximidade desencanta.

TROCA DE PASSES

"A diretoria do Palmeiras acertou ao seguir os passos do Grêmio e desistir da contratação de Ronaldinho Gaúcho. O leilão é desprezível"

LUIZ CARLOS OLIVEIRA SANTOS

SÃO BERNARDO DO CAMPO-SP

Nota da coluna: Caro Luiz, concordo que a diretoria acertou ao desistir, mas não me venha com essa conversa de que a decisão se deve ao fato de não concordar com o leilão. Os dirigentes de Palmeiras, Grêmio e Flamengo aceitaram e participaram do processo quando toda opinião pública já o tratava como leilão. Criticá-lo ou negá-lo agora soa como choro de perdedor.

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