''Vou dar tudo para ser campeão''

Brasileiro, 14 pontos atrás de Jenson Button, diz que esta é a maior chance de concretizar o sonho de ganhar um título na F-1

Entrevista com

Livio Oricchio, MONZA, O Estadao de S.Paulo

15 de setembro de 2009 | 00h00

No início da noite de ontem, Rubens Barrichello estava em casa, em São Paulo, com os dois filhos ao lado, Eduardo, que fará 8 anos na próxima semana, e Fernando, 4, completados sábado. Programa da família: assistir na TV ao GP da Itália de Fórmula 1, vencido por ele mesmo, domingo, em Monza. "Vendo a repetição da prova, agora, imagino que as pessoas não entenderam direito. Eu estava em quarto e de repente apareço liderando a corrida", disse o piloto da Brawn GP, tendo já em mente, como comentou, a disputa da próxima etapa do campeonato, 14ª do calendário, o GP de Cingapura, dia 27.

Rubinho é o vice-líder do Mundial, com 66 pontos, diante de 80 do companheiro de equipe, Jenson Button. Restam quatro etapas para o encerramento da temporada. Nessa conversa exclusiva, por telefone, esse paulistano de 37 anos e presença em 284 GPs, recorde absoluto, fala principalmente disso: a possibilidade de realizar seu sonho de ser campeão do mundo.

O que os brasileiros mais desejam saber é quais as suas chances de ser conquistar o título, festa que a nação não faz desde 1991?

É uma hora em que entram em cena a experiência, a humildade, a frieza, a capacidade de ser calculista. O piloto tem de ser bastante decidido. Se for merecedor de vencer o campeonato terei sucesso. Há quem diga que já prometi um título. Na realidade, nunca prometi. Falo sempre, como agora, que vou dar tudo para ser campeão. Sempre foi o meu sonho. E reconheço que essa é a minha maior chance. É preciso não esquecer, contudo, que estou 14 pontos atrás. Será um desafio. Grande. Mas já o topei, sem prometer nada, apenas muita gana mesmo.

Você diz, se for merecedor, parece que deseja dizer que será Deus quem julgará a disputa.

Eu vejo Deus protegendo a todos os envolvidos. Não adianta eu não estudar todos os detalhes de cada prova que falta e pedir ajuda a Deus, não vai adiantar.

Um dia depois de ganhar o GP da Itália e assistir à reprise na TV, qual sua projeção dessas quatro etapas que restam, Cingapura, Japão, Brasil e Abu Dhabi?

Em primeiro lugar, a prova de Interlagos ainda está um pouco longe, temos duas antes, mas só eu sei o prazer que já sinto em correr em casa com um carro competitivo depois de tanto tempo. A possibilidade de lutar pela vitória no GP do Brasil, um sonho para mim, depois de tanto tempo sem dispor de equipamento me enche de satisfação. Tenho boas razões para acreditar que a Brawn vai andar bem em Interlagos. Cingapura, vimos ano passado, é uma competição cheia de surpresas. Você pensa uma coisa e depois dá outra. Mas será quente, o que é bom para nós, e o traçado sugere ser bom também para nosso time. Se fizer frio em Suzuka, como é esperado, será a etapa mais difícil para nós, embora eu adore Suzuka e já venci lá (2005). Abu Dhabi não dá para saber. Você vê o desenho e na hora, quando entra na pista, é muito diferente, como aconteceu em Cingapura. Imagino Abu Dhabi bastante semelhante com Melbourne, onde fomos muito bem este ano, embora nossos adversários estivessem menos bem preparados na época.

Já pensou numa estratégia para as quatro etapas que faltam?

Tenho de trabalhar para mim mesmo. Não devo torcer contra nada, contra ninguém. Vou buscar vencer as corridas, não há dúvida, mas considero perda de tempo ficar torcendo para o Jenson Button não ser segundo. Vou partir para tentar vencer e depois ver a colocação dele, sem desejar que não tenha boa sorte na corrida.

Como está sendo a segunda-feira, dia seguinte à bela vitória em Monza, a sua terceira no circuito italiano?

Mágica. Fui buscar meus filhos na escola e eles me dizem que o amiguinho pediu autógrafo, respondi 150 e-mails, o twitter teve mais de cinco mil acessos, mas digo que não vejo a hora de chegar o GP de Cingapura.

Como vai administrar os problemas do câmbio do seu carro. Eles devem resistir a quatro fins de semana de corrida e o seu, com dois, já dá sinais de que talvez precise ser substituído, o que lhe custaria cinco colocações no grid.

A equipe está fazendo na fábrica uma simulação de quatro GPs com um câmbio que passou o mesmo estresse do meu na largada da prova da Bélgica para ver se aguenta. Espero que sim. Caso contrário, pode interferir na disputa final.

DUELO EQUILIBRADO

Piloto mais experiente da F-1, Rubens Barrichello já disputou 284 Grandes Prêmios na carreira, contra 168 do rival Jenson Button

Em número de vitórias, o piloto brasileiro também leva vantagem sobre o inglês (11 a 7)

Nesta temporada, porém, Button tem amplo domínio. Venceu seis vezes, nas sete

primeiras corridas. Já Barrichello ganhou apenas duas provas, nas três últimas

Próximos GPs: Cingapura, Japão, Brasil e Emirados Árabes

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