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Vovô viu a bola

O que mais me chamou a atenção, na rodada inaugural do Paulistão, foi um tema velho - e a dica está no título da crônica. Por isso, errou quem pensou no fiasco do Palmeiras, no 0 a 0 com o Botafogo, na noite de sábado, resultado que já rendeu vaias para a moçada do Felipão. Mandou bola pra fora quem imaginou que eu trataria de mais uma bela largada do Santos, nos 4 a 1 diante do Linense. Ou do gol de pênalti de Rogério Ceni, ao abrir caminho na vitória do São Paulo (2 a 0) contra o Mogi.

Antero Greco, O Estado de S.Paulo

17 de janeiro de 2011 | 00h00

Em compensação, acertou na mosca aquele que cravou Roberto Carlos e seu fôlego de balaio de gatos. O lateral do Corinthians é vovô da bola, logo mais (10 de abril) terá bolo com 38 velinhas pra soprar e ainda corre feito menino! Um desavisado que o visse pela primeira vez a dar piques como os de ontem à tarde, no Pacaembu, poderia tomá-lo como um jovenzinho em início de carreira num corpo de veterano. Ou um ET...

A condição física de Roberto Carlos nessa idade é de se tirar o chapéu. Com 18, 20, 25 anos o corpo responde mais rapidamente às exigências de uma partida de futebol. Mesmo em início de temporada, quando a maioria entra em campo com preparação meia boca. Normal, pois a natureza faz sua parte para os mais novos. Mas, com o sujeito na vizinhança dos 40 a desembestar como ele fez na etapa inicial do duelo com a Lusa, só pode se tratar de um fenômeno.

O desempenho de Roberto foi decisivo nos 2 a 0, construídos na primeira metade do jogo. De cara, desencorajou pretensão rival de ataque pelo seu lado e ainda se mandou para a frente como se jogasse na ponta esquerda. Num desses sprints, deixou o zagueiro Paulo Sérgio pra trás e ganhou escanteio. Na cobrança, percebeu que o goleiro Weverton e companheiros faziam rápida assembleia para ajustar a marcação, e chutou direto para o gol, de trivela, com efeito. Gol olímpico, até então inédito na carreira de quem rodou o mundo. Obra-prima, que a rigor teria de ser anulada, pois contou com participação de Paulinho, que estava fora do gramado, voltou sem autorização e fez o corta-luz.

O ônus da falha no episódio deve ir para a conta de sua senhoria Luiz Sérgio de Oliveira e diversos auxiliares. Para Roberto Carlos, restou a glória do belo gol. No segundo tempo, acabou a moleza do lateral, porque Fabrício lhe deu trabalho. Melhor, pois poupou o fôlego e saiu festejado como um dos destaques. Aparentemente imodesto, admitiu sentir-se um "privilegiado". E é.

Aí está uma característica de Roberto Carlos que suscita polêmicas. Não me lembro de tê-lo visto driblar entrevistas ou de ficar no rame-rame comum da maioria de seus companheiros. Como sempre encarou as perguntas e raramente se constrange ao emitir opinião, costuma dar respostas que fogem ao padrão habitual e às vezes soam antipáticas. Prefiro gente como Roberto Carlos, que diz na lata o que pensa, ao contrário de muito figurão que só fala para amiguinhos ou sorri apenas diante das câmeras.

Gostei da apresentação do Corinthians no primeiro tempo, quando marcou os gols (Paulinho jogou bem e abriu o placar no melhor estilo Elias, ao aparecer de repente na área) e criou chances para aumentar a diferença. No segundo, caiu e permitiu saudável reação da Lusa. O gás de Ronaldo durou meio tempo e Tite demorou a substituí-lo (saiu aos 30). A vitória serviu como bom aperitivo.

Tempestades à vista. O tempo deve fechar pelos lados do Palmeiras, e mais cedo do que se previa. A torcida mandou o recado, no sábado à noite, com as vaias ao time e cobranças por contratações, após o medíocre empate com o Botafogo. A equipe repetiu o roteiro de 2010: a defesa é instável e propensa a lambanças; o meio campo falha na marcação e cria pouco; o ataque, só uma miragem.

Nos bastidores, a briga política pega fogo, com as eleições marcadas para depois de amanhã. Salvador Palaia representa a situação desgastada. Arnaldo Tirone tem a bênção de Mustafá Contursi e a ala conservadora. Eu faria uma reflexão em torno de Paulo Nobre, quem sabe com ares novos?

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