Steve Ruark/AP - 2012
Steve Ruark/AP - 2012

Wada afirma que Armstrong não merece redução da suspensão

Norte-americano participava de um esquema de doping sistemático

Estadão Conteúdo

24 Março 2015 | 12h48

Lance Armstrong não fez o suficiente para merecer uma redução da sua suspensão do ciclismo e seu mais recente esforço de reabilitação chegou tarde demais, disse nesta terça-feira o diretor-geral da Agência Mundial Antidoping, David Howman, em entrevista à agência de notícias Associated Press.

Howman afirmou que o ex-ciclista norte-americano não aproveitou as oportunidades que teve de revelar os detalhes do seu passado de doping. "Se cumprisse os critérios e solicitasse o fim da sua suspensão, isso seria examinado com cuidado, mas até agora ele não o fez", disse Howman às margens de um simpósio da Wada em Lausanne. "Não está sendo considerado".

Armstrong se reuniu com o diretor da Agência Antidoping dos Estados Unidos, Travis Tygart, neste mês com a esperança de que a sua suspensão seja reduzida, mas ele não entrou em contato com a Wada. O encontro com Tygart foi o primeiro desde 2012, ano em que se retirou de Armstrong os seus sete títulos da Volta da França. Além disso, naquele ano, ele foi banido por toda a vida após a revelação de um esquema de doping sistemático nas suas equipes.

Depois, Armstrong fez uma confissão pública de que se dopou, mas a Wada ainda espera que ele apresente um relato detalhado. "Eu não estou seguro das razões para ele não ter feito nada", disse Howman. "De fato, ele teve inúmeras oportunidades. Incluindo as conversas com a gente, mas não forneceu informações substanciais que seriam benéficas para a fraternidade do ciclismo".

Armstrong já se reuniu duas vezes com funcionários europeus que investigam o doping no ciclismo como parte de audiências da Comissão Independente para a Reforma de Ciclismo. O relatório disse que ele foi o único ciclista banido por toda a vida em 2012 pela agência norte-americana, enquanto ex-companheiros de equipe que testemunharam contra ele foram suspensos por apenas seis meses.

O relatório observou ainda que Armstrong mereceu uma "pena severa" e que se poderia justificar algumas penalidades baixas contra ciclistas que cooperaram com a investigação original, algo que Armstrong não fez. O norte-americano se queixa de tratamento injusto em sua campanha para cancelar a sua suspensão vitalícia.

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