Wada defende atletas e inicia investigação independente sobre doping no atletismo

A Agência Mundial Antidoping (Wada, na sigla em inglês) voltou a demonstrar preocupação com as denúncias de doping no atletismo, reveladas pelo documentário do canal alemão ARD. Nesta sexta-feira, a entidade saiu em defesa dos atletas e revelou que já está investigando as denúncias por meio de uma comissão independente.

Estadão Conteúdo

07 Agosto 2015 | 14h25

"A comissão independente vai estender urgentemente suas investigações para estas novas alegações de doping", anunciou a Wada, nesta sexta. A entidade se refere às denúncias do canal ARD e do jornal britânico The Sunday Times de que a IAAF teria encoberto centenas de casos de doping em eventos como Mundial e Jogos Olímpicos, entre os anos de 2001 e 2012. A IAAF nega veementemente as acusações.

Os dois veículos de comunicação tiveram acesso ao resultado de 12 mil testes de sangue de 5 mil atletas ao longo de uma década. As informações foram tiradas do banco de dados da própria IAAF e vazadas por uma fonte não identificada - a Wada já veio a público para negar que seja a fonte destes dados.

A Wada decidiu iniciar a investigação "urgentemente" para proteger os atletas, que não são citados nominalmente pelas denúncias. De acordo com a entidade, vários esportistas estão sendo abordados e até pressionados por veículos de comunicação para que revelem informações sobre seus resultados em testes antidoping.

"Estes dados, se publicados, podem ser interpretados de forma errada. Além disso, podem implicar em conclusões equivocadas sobre os atletas, que podem ser considerados culpados pelo público apenas porque não querem liberar suas informações", registrou a Wada, em nota.

"Por essa razão, a Wada acredita que o local apropriado para uma avaliação independente é esta comissão, que trabalhará sem a interferência da Wada. Por isso, a agência não fará mais comentários a este respeito", disse a entidade, sobre a comissão que já investiga outra denúncia do canal ARD sobre doping sistemático no atletismo da Rússia. A comissão independente deve entregar um relatório sobre o caso para o presidente da Wada até o fim do ano.

A Wada também defendeu a IAAF (Associação das Federações Internacionais de Atletismo) na nota desta sexta-feira. "Estamos confiantes de que a IAAF, que se dispôs formalmente a cooperar, também está comprometida [com o trabalho da comissão]", afirmou o presidente da Wada, Craig Reedie. "Sugerir ou indicar doping de qualquer atleta, cujos dados estão na base de dados [da IAAF], é algo pelo menos irresponsável e potencialmente difamatório."

PASSAPORTE BIOLÓGICO - Diretor geral da Wada, David Howman alertou para a interpretação dos dados vazados pela denúncia do canal alemão e do jornal britânico. Ele destacou que muitas informações dizem respeito a testes realizados antes de 2009, data em que surgiu o Passaporte Biológico.

"Muitos destes dados não poderão ser considerados doping, sejam obtidos legalmente ou não. Além disso, resultados atípicos de exames de sangue, mesmo dentro do período entre 2009 e 2012, não indicaram necessariamente doping", ponderou o dirigente

Os documentos denunciados pelo ARD e pelo jornal levantaram suspeitas sobre um terço das medalhas conquistadas em provas de resistência em Mundiais e Jogos Olímpicos disputados entre 2001 e 2012. De acordo com a análise, 800 atletas, competindo dos 800 metros à maratona, registraram testes de sangue com resultados suspeitos ou abaixo dos padrões da Wada.

O documentário "Doping Ultrassecreto: O Sombrio Mundo do Atletismo", produzido pelo canal alemão, mostra ainda que 146 medalhas de Mundiais e Jogos Olímpicos, sendo 55 de ouro, foram conquistadas por atletas que apresentaram estes resultados suspeitos nos testes. Nenhum deles perdeu as medalhas em eventuais exames antidoping.

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