Washington abre crise no S. Paulo e será punido

Atacante irrita colegas e comissão técnica por críticas depois do clássico e é cobrado em público por Ricardo Gomes

Giuliander Carpes, O Estado de S.Paulo

20 de abril de 2010 | 00h00

Às vésperas de um dos jogos mais importantes da temporada - amanhã, contra o Once Caldas, no Morumbi -, o São Paulo tem uma crise para resolver. Não repercutiram bem entre os dirigentes, o técnico e os jogadores as declarações de Washington após a derrota por 3 a 0 para o Santos, domingo, na Vila Belmiro. Ontem o centroavante foi cobrado duramente por todos logo na reapresentação do elenco.

Washington reclamou por ter sido tirado do time titular por Ricardo Gomes. De acordo com o artilheiro, o técnico bagunçou o time para a decisão contra os santistas. "Quando estou em campo, eu saio mais cedo. Quanto estou no banco, entro mais tarde", reclamou. "Estragaram o que estava certo. Uma das poucas coisas que o time tinha de correto foi tirada. Estou cansado de ser crucificado por erros dos outros", exagerou.

Ricardo Gomes reuniu os jogadores e cobrou o camisa 9 na frente de todos. Além disso, Washington também será punido. Cabe ao presidente Juvenal Juvêncio definir se haverá multa ou apenas uma repreensão. Pesa contra o atacante o fato de já ter reclamado publicamente por ter sido substituído outras vezes. Numa das mais incisivas, a desobediência colaborou para a demissão do técnico Muricy Ramalho, na metade do ano passado.

Irresponsabilidade. "O Washington foi irresponsável. Um jogador com a experiência dele não pode tomar esse tipo de atitude", declarou o superintendente de futebol, Marco Aurélio Cunha. "O caso foi passado ao presidente, que tomará a atitude necessária, seja verbalmente, seja mexendo no bolso. De alguma maneira, o processo do São Paulo vai ser firme. Ele precisa e vai entender que aqui as coisas são diferentes. Não foi a primeira vez que ele fez isso."

Os próprios jogadores ficaram incomodados com a atitude do companheiro. Tanto que apoiaram a reunião, convocada pelo treinador. "Um grupo quando é grande e qualificado vai sempre ter pessoas infelizes com a reserva, mas é preciso haver respeito", cobrou o volante Richarlyson, que jogou improvisado na lateral-esquerda no domingo. "Não vai ser falando que o jogador vai mostrar que tem condição de jogar, mas trabalhando. Não foi só o Washington que ficou fora. Tem o Marcelinho, o Léo Lima e muitos outros."

Outro tema da reunião foi o pouco empenho de alguns diante do Santos. O zagueiro Alex Silva reclamou dos companheiros na saída de campo e ontem reforçou as críticas. "Precisávamos ter uma vibração maior, tínhamos de fazer dois gols", ressaltou o jogador, já um dos líderes da equipe. "Assumo totalmente a responsabilidade não só de cobrar como levantar o moral dos companheiros agora."

Falta de respeito. Mais um aspecto que incomodou os são-paulinos domingo foram as jogadas mais "exibicionistas" dos adversários santistas. Richarlyson questionou uma mudança de atitude de Robinho e Neymar depois que o Santos marcou o primeiro gol. "Quando estava 0 a 0 eles respeitavam, mas quando fizeram 1 a 0 já começaram a passar o pé em cima da bola, fazer careta para a torcida."

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