Washington e Ronaldo: papéis invertidos

Washington e Ronaldo: papéis invertidos

Contestado atacante do São Paulo vive boa fase e já fez 10 gols no ano. [br]Astro corintiano, em baixa, marcou apenas 2

Bruno Deiro e Giuliander Carpes, O Estadao de S.Paulo

28 de março de 2010 | 00h00

Em seis meses, os papéis se inverteram para Ronaldo e Washington. O prestígio do Fenômeno parece ter migrado para o rival que, após muitas vaias, tem conquistado a torcida do Tricolor. Protagonistas do último clássico, em setembro de 2009, quando fizeram os gols no empate por 1 a 1, chegam para o duelo de hoje em situação oposta.

Na rodada do meio de semana esta mudança de condição ficou evidente. No Corinthians, Ronaldo perdeu gols e saiu vaiado na derrota por 1 a 0 para o Paulista, em Barueri. Enquanto isso, em Bragança Paulista, o São Paulo perdia pelo mesmo placar e a ausência de Washington foi bastante sentida no ataque tricolor.

"Este ano comecei fazendo mais gols do que o Ronaldo, que está se recuperando fisicamente. Mas o Ronaldo é sempre o Ronaldo. Quando você menos espera ele resolve tudo", elogia o camisa 9 são-paulino, que já fez 10 na temporada, contra apenas dois do Fenômeno.

Há duas semanas, porém, em entrevista ao Estado, Washington reclamava da falta de reconhecimento. "Tem muito atacante que faz menos gols do que eu e é idolatrado por sua torcida. O que posso fazer?" Após o último jogo, quando ficou claro que o ataque do Tricolor não funciona sem seu jogador de referência, ele provou sua importância.

Ronaldo, por sua vez, experimentou uma inédita cobrança direta da torcida corintiana no jogo com o Paulista. Desperdiçou chances, errou jogadas simples e saiu de campo sob vaias. Após a troca de ofensas com um grupo de torcedores no estacionamento da Arena Barueri, o Fenômeno pediu desculpas aos corintianos e pediu apoio para o clássico.

"Entendo as críticas do torcedor nesta hora e aceito todas elas. Temos um jogo importantíssimo contra o São Paulo, na nossa casa. É hora de nós contarmos com o apoio da arquibancada", divulgou o atacante do Corinthians, por meio de nota.

Momentos distintos. No ano passado, foi a escassez de gols nos momentos decisivos que indispôs Washington com a torcida do São Paulo. Na eliminação da Libertadores para o Cruzeiro, ele foi apontado como um dos principais culpados pela apatia do time. Isso se refletiu no jogo com o Corinthians pelo Brasileiro, em setembro, quando o atacante era pouco valorizado.

Já Ronaldo chegou para aquele clássico em lua de mel com os corintianos. Decisivo nas conquistas do Estadual e da Copa do Brasil de 2009, se dava ao luxo de escolher em quais jogos queria atuar e sua simples presença em campo era uma festa. Mas o início de ano pouco convincente, com atuações apagadas no Paulista e na Libertadores, já faz parte da torcida corintiana perder a paciência com o ídolo.

Receita de artilheiro. Washington, que tem conseguido apagar os maus momentos, sabe que basta uma sequência de gols para que tudo mude no Corinthians em relação a Ronaldo. "Somos jogadores que definem. A qualquer momento podemos aproveitar uma jogada e fazer o gol", afirmou o são-paulino.

No clássico de hoje, no Pacaembu, ele teme que as críticas possam deixar o Fenômeno com "fome" de gols. "Com esta cobrança é possível que ele fique ainda mais motivado, o que dificulta muito as coisas."

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