Webber tem saudade da Fórmula 1 antiga

Australiano gostaria de festejar vitórias exibindo a bandeira do país, como Senna fez muitas vezes: ''F-1 é paixão''

Livio Oricchio, O Estado de S.Paulo

20 de maio de 2011 | 00h00

ENVIADO ESPECIAL / BARCELONA

Mark Webber não se empolga com a Fórmula 1 atual. Ao contrário. É crítico ferrenho dos recursos que inventam para tentar dar mais emoção às corridas, mas que criam um clima artificial. Para o australiano da Red Bull, bom mesmo eram os GPs do passado, quando as coisas seguiam um curso espontâneo e natural.

A convicção de Webber foi reforçada há duas semanas, quando assistiu ao filme sobre Ayrton Senna. Comentou ter se emocionado e contou o que cobra da FIA. "Eu já pedi várias vezes para o Charlie Whiting (diretor de prova) que me permita levantar a bandeira da Austrália, no cockpit, quando vencer. Fórmula 1 é paixão. O personagem tem de ser preservado. Vi como fazia Senna, a incrível reação da torcida. Agora, "esterilizaram" nossos sentimentos"", disse ontem, com exclusividade, ao Estado.

O piloto diz não ter gostado da banalização das ultrapassagens da F-1 atual. "Antes era uma manobra de precisão, exigia elevada habilidade, agora está fácil demais. Senna não aprovaria.""

Quando o assunto passa a ser seu desempenho nesta temporada, Mark Webber diz a meta é repetir o que fez no campeonato passado. Foram as duas vitórias seguidas, nos GPs da Espanha e de Mônaco, que o lançaram à liderança. E não fosse um erro na corrida da Coreia do Sul, antepenúltima da temporada, provavelmente o australiano da Red Bull teria sido o campeão do mundo.

Este ano, sua trajetória é semelhante. Com o carro que tem, não há como ser apenas o terceiro na classificação, com 55 pontos, diante de 93 do companheiro de equipe, Sebastian Vettel, que herdou o título em 2010.

Webber se diz confiante e o primeiro passo quer dar hoje, colocando-se à frente de Vettel nos treinos livres do GP da Espanha.

O australiano define como "absurda"" a tentativa da FIA de mudar as regras durante a competição, ao proibir os escapamentos aerodinâmicos e depois recuar, e pede providência à entidade: "Deixem os pilotos serem espontâneos, exporem sua emoção.""

Webber atribui às características dos novos pneus Pirelli, o fato de estar sempre atrás de Vettel. "Melhorei, mas ainda não consigo ser tão rápido quanto Sebastian nas classificações"", explica. "Na pole, ele pode administrar o consumo dos pneus. Eu, largando mais para trás, os desgasto mais rápido, sou obrigado a substituí-los antes, comprometendo minha corrida."" Mas não tira o mérito do jovem alemão. "Está pilotando como nunca.""

Webber faz uma advertência, pedindo para ser compreendido: "Tenho de parar essa série de vitórias de Sebastian. Se ele ganhar as próximas três ou quatro provas será ruim para mim e para você"", diz ao repórter do Estado. E quando passar a dividir as vitórias, espera que Christian Horner, diretor da Red Bull, gerencie o time de forma diferente de 2010, quando a preferência recaiu totalmente sobre Vettel.

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