X-Games atraem uma legião de fãs no Rio

Som alto, público gritando eaplaudindo a cada manobra radical e shows acrobáticos com skates patins e bicicletas deram o tom do primeiro dia de competiçãonos X-Games, que reúne cerca de 150 dos principais atletas domundo em esportes radicais. Nesta sexta-feira houve apenastreinos específicos de cada modalidade e disputas preliminaresno Inline Skate, no Bicycle Stunt e no Skate. O evento acontece pela terceira vez na Praia do Leme, nazona sul do Rio. Entre rostos desconhecidos, havia uma atletaque despertava a atenção da platéia. Vestindo boné preto,bermuda jeans desfiada, camiseta branca e com uma mochila nascostas, Fabíola da Silva, de 24 anos, era o retrato de umsucesso que começou quando criança. Estrela - Nascida no Estado de São Paulo, Fabíola ganhou seu primeiro par de patins, modelo tradicional (com uma roda ao lado da outra), aos 12 anos e começou a usá-lo por pura diversão. Apóstrês anos, seus pais lhe deram outro patins - denominado inline,"mais moderno". A partir dali, começou a competir e atreinar. "Desde menina nunca gostei de brincar de bonecas,sempre de esportes com ação", contou Fabíola. Aos 16 anos, seutalento foi descoberto pelo norte-americano Chris Edward. Em suaprimeira competição internacional, os X-Games de 1996,conquistou a medalha de ouro na categoria vertical. Cada passo dela na arena era interrompido por um pedidode autógrafo ou para uma foto junto com um fã. Mas isso não adeixou irritada. "O que empolga a gente é o público, a vibraçãodeles. Gosto disso. Sempre me coloco no lugar deles, é legal terapoio profissional", afirmou a atleta. Acompanhando seus passos, a mãe de Fabíola, ClaudetiSilva, se disse orgulhosa com o reconhecimento e com o incentivoda platéia. "É muita emoção. Tenho orgulho das duas",referindo-se à sua outra filha, que também é skatista. No ano passado, a família viveu um drama. O pai deFabíola morreu e sua mãe não pôde vir ao Rio para assistir aosX-Games, como sempre faz. "Foi muito triste, mas já superamos.Nem pude vê-la", disse Claudeti. Na ocasião, a atletaconquistou o título na categoria Street feminino. Renovação - Apesar da competição contar com atletasrenomados como o canadense Pierre-Luc Gagnon e os brasileirosBob Burnquist e Sandro Dias, também há espaço para jovens quesonham com um futuro parecido com os deles. Morando em Curitiba, Jefferson Bill, de 14 anos, irácompetir só no domingo, na categoria amadora do street, mas nãoquer perder nenhum minuto dos X-Games. "Não vim aqui parabrincar. O negócio é sério e quero ser campeão. Meu sonho éconquistar uma medalha de ouro na Califórnia", afirmou o jovematleta. "Meu pai, Alexandre Dota, é skatista e foi campeãomineiro nos anos 80. Mas na época não existia esse campeonatonem mídia no Brasil." Jefferson Bill tem dois irmãos - de 15 e 6 anos - quenão vieram aos X-Games porque estão disputando o campeonatochamado Drop Dead, em Curitiba. O amor pelos esportes radicais,pelo visto, nasce do berço.

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