Xangai, a China futurista

Tradição e modernidade - Cidade concentra os novos negócios do país

Daniel Piza, enviado especial, Xangai, O Estadao de S.Paulo

22 de agosto de 2008 | 00h00

Se Pequim está toda organizada e limpa para a Olimpíada, Xangai - onde a seleção brasileira de futebol masculino disputará o bronze amanhã - é a face mais expressiva das transformações pelas quais a China passa. Sede da Bolsa de Valores nacional, ex-colônia européia, tomada por arranha-céus cada vez maiores e mais extravagantes, a cidade é a mais globalizada e futurista do país, onde os artistas de vanguarda se concentram e onde os novos negócios da China mais se realizam.Seu nome, cuja versão moderna se escreve "Shanghai" (pronúncia "Shan-rai") em vez de Xangai, significa "acima do mar". Principal porto chinês, foi alvo da cobiça de muitos povos. No século 19, a Inglaterra entrou em conflito com a China pela abertura comercial a partir de Xangai, um dos portos liberados pelo Tratado de Nanquim. Mais tarde, a cidade foi dividida em concessões, pequenos territórios ocupados por Inglaterra, França, EUA e Japão sucessivamente.À margem oeste do Rio Huangpu, numa avenida conhecida como The Bund, é possível ver as marcas deixadas pelo passado colonial em vários edifícios no estilo clássico europeu, como o que abriga a Bolsa de Valores e o do Hotel Peace - obra do milionário americano Victor Sassoon, local onde se cultivava o jazz nos anos 30. Mas do mesmo ponto é possível ver a nova e independente Xangai, à margem leste, onde os prédios da região conhecida como Pudong se impõem num "skyline" hoje famoso.Nessa silhueta de prédios se destaca a Torre de TV Pérola Oriental, com sua arquitetura à la Jetsons que tem duas grandes esferas com faixas vermelhas se projetando para o alto, chegando a nada menos que 457 metros de altura. Ao lado está outro arranha-céu conhecido, Jianmao Dasha, de 421 metros, com restaurante no 88º andar. Ambos foram ultrapassados em altura há dois anos, com a construção do Shanghai Financial Center, de 460 metros.O Pudong era o bairro mais pobre da cidade em meados do século 20, quando dominado pela lendária máfia de Xangai, do gângster Du Yuesheng, o Orelhudo. Em 1990, na onda de reformas capitalistas promovidas por Deng Xiaoping, ele foi escolhido como Zona Econômica Especial, abrindo-se radicalmente a investimentos estrangeiros. Os chineses afirmam que um terço do comércio internacional é feito aqui.Por essas características de cidade comercial e financeira, em que se vêem muitos executivos estrangeiros passeando por suas ruas de dia e se divertindo em clubes e bares abertos até o amanhecer, além de muitas mulheres chinesas que se vestem de acordo com a moda mundial, Xangai normalmente é comparada com São Paulo e Chicago. Outro item comum é a importância relativamente menor de seu centro histórico - cujo destaque são os jardins Yu, da dinastia Ming -, já que em Pequim há endereços como a Cidade Proibida e os inúmeros templos.A rivalidade entre Xangai e Pequim também remete à existente entre São Paulo e Rio, pois os moradores da capital dizem que em Xangai as pessoas são estressadas e só pensam em dinheiro, enquanto estas afirmam que os pequineses não são modernos. O fato é que Xangai é uma cidade difícil de comparar com qualquer outra, de tão peculiar - seja em sua arquitetura, seja em seu cotidiano.Para quem veio de Pequim, a cidade parece ter mais mendigos, caos e gente oferecendo produtos falsificados na rua - o que também acontece em Pequim, mas, por causa da Olimpíada, foi reprimido. Xangai tem dezenas de obras viárias e construções sendo feitas, quase todas de prédios muito altos com design nada convencional. O metrô é vasto e está em expansão contínua. Avenidas como a Nanjing Lu, com 10 km de extensão, são consideradas um "paraíso de consumo" por suas lojas e shoppings. Há sofisticação também. Bairros como Xintiandi, na região francesa da cidade, são tomados por butiques internacionais e restaurantes como o brasileiro Latina, que serve rodízio de churrasco (leia mais nesta página). À noite, lugares como o bar Zapata, a danceteria MT e o clube Velvet são pontos de encontro entre estrangeiros e chinesas, ao ritmo de pop americano e música eletrônica. Xangai ferve.

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