Xterra/Divulgação
Xterra/Divulgação

Xterra, evento de esportes offroad, transforma cidades e pessoas há quase 15 anos 

Maior circuito do gênero no mundo chegou ao Brasil pelas mãos de Bernardo Fonseca; Em entrevista ao 'Estadão', ele conta que o projeto se reinventa para seguir atraindo cada vez mais públicos; nesta edição, evento estará em dez cidades

Murillo César Alves, especial para o Estadão

10 de março de 2022 | 20h00

"Um sonho que se tornou realidade". Quando se fala de Xterra, os olhos de Bernardo Fonseca brilham. Ele é CEO e responsável por trazer o projeto ao Brasil. Ultramaratonista e empresário, formado em administração, ele "sempre viveu e tentou sobreviver com esporte."

O Xterra é hoje o maior evento de esportes offroad e outdoor do mundo, estando presente em mais de 40 países ao redor do mundo. O interesse de Bernardo cresceu durante uma viagem para o Havaí em 2004. Desde então, se apaixonou pela ideia e as possibilidades que o Xterra poderia trazer e logo no ano seguinte trouxe a realidade para o Brasil. Há provas específicas como triathlon, train run e mountain bike, por exemplo. A nartureza é o cenário dessas atividades.

“Meu primeiro projeto de vida foi quando eu trouxe (o Xterra) para o Brasil. Ele foi uma inovação esportiva no país, trouxe o trail running (corrida em trilha) e outras modalidades que foram novidades, porque sai da mesmice, do lugar comum da prática esportiva. O mundo offroad muda tudo, a cada ano, a cada chuva, um novo trajeto surge ou se transforma", diz Bernardo. 

O sucesso do Xterra, em todos esse anos de existência no mundo, não se deve somente ao esporte em si, aponta também o CEO da X3M, empresa que gere o evento no Brasil. Para Bernardo, outro fator essencial são as experiências e pessoas que estão por trás da sua realização. "Trabalhar com amor, ter prazer em desbravar o percurso, descobrir uma nova cidade... porque não somos apenas empresários, estamos tendo uma satisfação gigantesca ao realizar o Xterra. Trabalhar com o que ama e 'sofrer' ao mesmo tempo é difícil, mas no fim tudo isso vira satisfação em fazer o projeto. E como vivemos ao redor do Xterra e desse nicho de esportes, conseguimos sempre estar trazendo ideias novas, remodelando e se adequando às evoluções das modalidades", contou Bernardo. 

Para esse ano, além dos eventos clássicos de triatlo e mountain bike, algumas novidades chegam ao Xterra. Corridas especiais para as crianças, o "MTB KIDs" e o "Xterra Short Track", que transformará a experiência do triatlo em uma espécie de arena, para aproximar os competidores dos torcedores. 

Bernardo diz que a ideia do “Short Track” já era utilizada na Europa, com grande sucesso. Além disso, por diminuir a “aleatoriedade” que a natureza traz para o percurso, essa modalidade facilita e incentiva a transmissão das provas, seja pela internet, streaming ou até pela TV aberta. Ao redor do mundo, mais de 300 mil espectadores acompanham as provas anualmente. 

"Essa prova (Short Track) foi idealizada para construir marca e feita para a televisão mesmo. Já tivemos a transmissão na TV em outras edições, com auxílio do exército durante a edição na selva amazônica. É um grande desafio, mas o ‘short track’ facilita esse processo e deve ser inaugurado na etapa de Ilhabela", afirmou Bernardo, que também detalhou que o Xterra está fechando os últimos detalhes para a transmissão desse evento pela Rede Bandeirantes. 

Além dos eventos esportivos, o Xterra também promove um fim de semana de turismo, entretenimento e cultura, em uma cidade "linda e paradisíaca no Brasil." É o caso de Ilhabela e Angra, que atraem diversos visitantes todos anos e que recebem toda a estrutura do projeto, ano após ano, e sentem a transformação que o esporte proporcionou. 

"É um projeto que transcende o esporte. Construímos experiências para as pessoas se sentirem numa aventura. Ele consegue atingir pessoas que estão iniciando, ao mesmo tempo que atinge os atletas de ponta. O sucesso é a mescla da família, natureza, esporte e a partir daí nós crescemos. E o fim de semana não vai ser só sobre esporte, é também turismo, é gastronômico, para no fim chegar com um sorriso de ponta a ponta", detalhou Bernardo. 

O impacto socioeconômico e cultural do Xterra nas cidades que o recebem é notável, disse o organizador. "Ilhabela, por exemplo, se transformou. Desde a primeira edição, a cidade passou a respirar, viver o esporte, e isso vale para todas as outras cidades, pequenas e médias. Vai além de um evento esportivo, e os prefeitos, que se comunicam e enxergam essa oportunidade, saem na frente."

Enxergar esse legado construído é essencial para o Xterra ao longo desses anos. Para Bernardo, é gratificante "ver as pessoas te agradecendo pela mudança que o projeto proporcionou em suas vidas". Em todas essas edições, o CEO estimou que já contratou mais de 100 mil pessoas para auxiliar na realização do evento. 

"Quando você vê alguém que se aventurou, mudou sua vida e te agradece, com um carinho enorme, eu fico muito feliz. Eu quero sempre estar à disposição, de atletas e empreendedores, porque não é fácil recolher investimentos, patrocinadores, licença... Eu me sinto realizado trabalhando com o que gosto. É o que tem mais valor, muito mais do que dinheiro", admite Bernardo 

Neste ano, serão dez etapas e 7 modalidades, como o mountain bike e o triatlo. Além disso, será a estreia da cidade Mariana, em Minas Gerais, no evento. As primeiras provas acontecerão nos dias 12 e 13 de março e percorrerão o país ao longo do ano, até o fim de dezembro. 

Confira o calendário do Xterra

  • Mariana (MG) - 12 e 13 de março
  • Ilhabela (SP) - 07 e 08 de maio
  • Ilhagrande (RJ) - 28 e 29 de maio
  • Ibitipoca (MG) - 09 e 10 de julho
  • Ouro Preto (MG) - 13 e 14 de agosto
  • Paraty (RJ) - 27 e 28 de agosto
  • Estrada Real (MG) - 08 e 09 de outubro
  • Ilhabela (SP) - 22 e 23 de outubro
  • Itabira (MG) - 19 e 20 de novembro
  • Búzios (RJ) - 03 e 04 de dezembro
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