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Yane Marques pede reconhecimento ao pentatlo após ouro em Santiago

Pernambucana, bronze na Olimpíada de Londres em 2012, aponta dificuldades também em outras modalidades

Nathalia Garcia, O Estado de S. Paulo - Enviada Especial

10 de março de 2014 | 11h07

SANTIAGO - Com a medalha de ouro no peito, Yane Marques aguarda o início do Hino Nacional. A espera dura mais que o normal e os poucos presentes na Escola Militar em Santiago, no Chile, ficam constrangidos. Alguém puxa o coro e todos cantam a capela, até mesmo Carlos Arthur Nuzman, presidente do Comitê Olímpico Brasileiro. A falha durante a premiação nos Jogos Sul-Americanos retrata a carência que ainda sofre o pentatlo moderno.

A modalidade – que mistura esgrima, natação, hipismo e combinado (tiro e corrida) – ganhou projeção nacional com o bronze conquistado por Yane na Olimpíada de Londres, em 2012. E o resultado não foi isolado, a pernambucana faturou a prata no Mundial em Taiwan no ano passado e hoje ocupa a 4.ª posição no ranking da União Internacional de Pentatlo Moderno (UIPM).

Apesar disso, o investimento dos patrocinadores não condiz com o sucesso trilhado. "Estou começando a pensar que o problema não é Yane, o problema é o pentatlo, um esporte pouco conhecido. No Brasil, as pessoas ainda não sabem o que é. Como investir em um esporte que de repente não te dá o retorno esperado?", diz Yane.

Para ela, a questão é ainda mais abrangente entre os atletas olímpicos e lembra as recentes dificuldades enfrentadas pelo ginasta Arthur Zanetti, que fez um dia de greve por causa de salários atrasados, e de Maurren Maggi, que aderiu à plataforma de crowdfunding (financiamento coletivo) na internet para continuar no atletismo. "Percebo que isso não é um problema só meu. Teve o caso do Arthur se queixando da questão do patrocínio e teve a Maurren também. Esse é um problema do Brasil."

POUCOS ADEPTOS

Outra preocupação da atleta é a falta de praticantes de pentatlo moderno no País. As três representantes brasileiras que competiram no Chile são do Recife, o polo da modalidade. "Precisa ser muito mais difundido, muito mais treinado no País inteiro. Hoje somos bem carentes nesse sentido. Acho que o Brasil tem um material humano que a gente precisa trabalhar e explorar", analisa.

Exemplo para as novas gerações, Yane se coloca à disposição para contribuir para a formação de novos atletas. "Uma vez aposentada, quero passar para esse pessoal que está começando tudo o que eu vivi e tudo o que eu aprendi para que eles pulem algumas etapas que eu tive de passar." O fim da carreira de Yane deve acontecer depois dos Jogos do Rio."Acho que 2016 vai ser a minha última Olimpíada. Depois vou continuar treinando, mas não profissionalmente", afirma.

E a pernambucana tem grandes chances de fechar o seu ciclo com uma medalha de ouro. "Se eu conseguir reproduzir o que faço no treino, posso ter motivos para comemorar."

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