Carlos Barria/Reuters
Carlos Barria/Reuters

Yelena Isinbayeva começa a se despedir do salto com vara neste domingo

Saltadora conquistou dois ouros olímpicos ao longo de sua carreira

AMANDA ROMANELLI - Enviada especial, O Estado de S. Paulo

11 de agosto de 2013 | 08h00

MOSCOU - Yelena Isinbayeva não é mais a mesma. Não deixou de ser um mito do atletismo, mas mostrou, nos últimos anos, que também é mortal. Imbatível até 2009, foi derrotada por outras atletas e perdeu também para si mesma. Às 12h10 (de Brasília) deste domingo, ela entra no Estádio Luzhniki para, possivelmente, fazer sua penúltima disputa do salto com vara - afinal, todos esperam que no Mundial disputado em sua casa ela supere a qualificatória de hoje e entre na final da terça-feira.

A saltadora, que se acostumou aos holofotes graças aos resultados e à beleza, fez o anúncio da aposentadoria de maneira discreta. Foi no próprio Luzhniki, dia 23 de julho, logo após a conquista do título russo com a marca de 4,75 m. À imprensa local, confirmou o adeus. "Vai ser um momento triste, mas minha carreira acaba após o Mundial", afirmou. Após a Olimpíada, ela chegou a dizer que competiria no Rio em 2016.

Aos 31 anos, Isinbayeva conquistou dois ouros olímpicos (Atenas-2004 e Pequim-2008). Em Londres, ficou com o bronze. Nos dois últimos Mundiais não subiu ao pódio. É dona do recorde mundial com 5,06 m (de 2009) em pista ao ar livre. Mas já perdeu a melhor marca do mundo em provas indoor para Jennifer Suhr, em março.

Foi justamente em um Mundial que Isinbayeva deixou de ser imbatível. Em 2009, na edição de Berlim, a saltadora não conseguiu validar nenhuma de suas tentativas.

Um mês depois, bateu pela 27ª vez o recorde mundial. No início de 2010, veio outra derrota. No Mundial Indoor de Doha, foi a brasileira Fabiana Murer quem subiu no lugar mais alto do pódio. Ela ficou em quarto.

Os dois fracassos foram suficientes para que a russa repensasse a carreira. Anunciou um período sabático e ficou fora das competições até 2011. No retorno, rompeu a parceria com Vitaly Petrov. Deixou Mônaco, onde morava desde 2005, e voltou para sua cidade natal, Volvogrado. Além disso, retomou o trabalho com Yevgueni Trofimov, seu descobridor.

Trofimov foi quem mais falou sobre a decisão da saltadora. Ele tem esperança de que a aposentadoria não seja definitiva. Revelou também que Isinbayeva chegou a saltar 5,11 m em um treino, mas se machucou em seguida, na etapa de Xangai da Liga Diamante, em maio. "Infelizmente ela já não é tão forte e tão jovem."

Campeã mundial em Daegu há dois anos, Fabiana Murer também faz parte do time das veteranas do salto com vara. Aos 32 anos, não terá vida fácil na defesa de seu título - e, como Isinbayeva, vai se aposentar em casa: no Rio em 2016.

Aos 26 anos, a cubana Yarisley Silva, vice-campeã olímpica, é a mais regular da temporada e lidera o ranking mundial com 4,90 m. Jennifer Suhr, de 30, foi ouro em Londres e é a segunda melhor do ano com a marca de 4,80 m.

A repórter viaja a convite da IAAF

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