''''Yo soy brasileño, con mucho orgullo...''''

Equipe de entretenimento anima o público nas quadras. A empolgação vem até com estribilho em castelhano

Mônica Manir, O Estadao de S.Paulo

22 de julho de 2007 | 00h00

Silêncio, nas arenas do Pan, só por motivo de força maior. Na quarta-feira, o minuto dedicado às vítimas da tragédia do vôo da TAM antes da maioria das competições foi emocionante e, ao mesmo tempo, estranhíssimo aos ouvidos de quem convive com os megadecibéis promovidos pela Entreter, empresa responsável pela animação do evento. Presente nas partidas de vôlei, vôlei de praia, handebol, futebol, pólo aquático e basquete, nas provas de natação e nos futuros embates de atletismo e futsal, a equipe de animadores faz muito barulho. "Vamos agitar", anuncia um dos telões, traduzido logo em seguida como "Let?s make noise". De fato.Antes dos jogos, os integrantes da família Entreter aquecem o público com bolas enormes, dançarinas (propositalmente?) descompassadas na função de cheerleaders, arremesso de brindes para a platéia, arremesso de bolas na quadra de praia com estilingue gigante, palmas, correria pra cá, correria pra lá, mãos pra cima. Tudo entremeado pelo "Viva essa energia, viva essa energia, todo mundo junto pra pular", refrão do hino do Pan, ou pela macarena, ou pela versão acelerada de "Moro num País tropical, abençoado por Deus..." Um DJ hiperativo treina diversas olas, que sempre terminam com palmas, como no final de aula de academia. "É ótimo, sem eles a gente morreria de tédio antes do jogo", diz o torcedor sob longo chapéu em forma de copo de chope. Para quem pensa que o início do jogo dará um respiro, a surpresa. Vestidos como aqualoucos, malandros, chifrudos, anjo, supertorcedor, os integrantes da equipe aproveitam intervalos mínimos entre um ponto e outro para tirar o público da cadeira. Andam com cartazes pedindo "palmas", "gritos", "bra", "sil". Quem se esqueceu do treino da ola lê outro lembrete e já começa a levantar os braços. Bem verdade que existe o "silêncio" , que serve para quando o atleta vai para o saque ou se posiciona à beira da piscina. Mas, mal a bola cai na quadra e o nadador na água, entra um dedilhado em volume máximo e o DJ recomeça a maratona. Um equatoriano se empolga: "Yo soy brasileño, com mucho orgullo". Integração pan-americana. "O público está predisposto ao entretenimento", diz Dani Entreter, sobrenome fantasia usado pelos 43 membros da equipe. Paulo Entreter avisa que há rodízio dos personagens pelas modalidades. Em dias seguidos, o povo viu Bárbara Entreter - que faz o anjo - no vôlei de quadra, no de areia e no pólo. Mas teve dificuldade para comentar isso com o vizinho. Foi no cutucão e na mímica, porque o cartaz na mão dela anunciava "gritos" novamente. E O DARTAGNAN?Logo na entrada dos locais de competição, as normas de segurança são claras: proibido entrar com alimentos, bebidas, recipientes de vidro ou de louça, latas, cadeiras e tamboretes... instrumentos musicais, patins, skates... Por causa do veto ao instrumento musical o corneteiro Dartagnan e equipe se ausentam das arenas neste Pan. Há mais de 20 anos cornetando nas arquibancadas, com experiência em mundiais e pans, viraram espectadores de surdina."Fizemos tanto sucesso em Santo Domingo (em 2003) que a organização não deixava a gente pagar entrada", diz Roberto Antunes, responsável pelos contratos do grupo. "Nossa proposta é animação pura." Por enquanto está ausente "Mulata bossa-nova, caiu no hully-gully". Assim como Dartagnan Jatobá, ex-campeão carioca de judô, que nesta semana foi visto torcendo anônima e silenciosamente pelo handebol.

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