Osvaldo F./Contrapé
Osvaldo F./Contrapé

Zanetti depende do 'Zanetti' no Mundial de Ginástica

Campeão olímpico depende da homologação do movimento criado por ele para melhorar sua nota de partida e suas chances na competição

Alessandro Lucchetti, O Estado de S. Paulo

18 de setembro de 2013 | 20h39

SÃO CAETANO DO SUL - O campeão olímpico Arthur Zanetti viaja na próxima segunda-feira, rumo a Antuérpia, na Bélgica, com o objetivo de conquistar a inédita medalha de ouro no Mundial, que começa no dia 30.

O ginasta paulista, vice-campeão mundial em 2011, no Japão, sabe que não será nada fácil. A série que lhe deu o ouro olímpico já está defasada. Com ela, a nota de partida de Zanetti seria 6,8. Dois adversários, o grego Elefhterios Petrounias e o francês Samir Ait Said, têm 6,9, e hoje seriam os favoritos.

Mas o ginasta e seu treinador, Marcos Goto, já trabalham duro para conseguir um décimo a mais. Eles criaram um elemento que vai se chamar Zanetti, caso seja homologado pela Federação Internacional de Ginástica (FIG). Ele fica dois segundos em prancha dorsal e depois sobe para uma prancha com apoio.

Na etapa de Anadia, em Portugal, os juízes fizeram uma avaliação preliminar do movimento e o classificaram como E. O “Zanetti” precisa ser avaliado como F para dar um décimo de vantagem a seu criador. Se a FIG o mantiver como E, o ginasta vai repetir a série olímpica, e dependerá de uma execução perfeita, além de “secar” os favoritos na final.

“É um elemento de força máxima. Gasto mais força do que em todos os elementos que eu já fiz. É o mais extremo”.

Os demais atletas da seleção brasileira já estão treinando na Alemanha. Zanetti decidiu adiar sua viagem para poder permanecer mais tempo em casa. No ano passado, ele competiu por 16 vezes no exterior. Os objetivos que fixou são o ouro da Universíade e o do Mundial – o da Universíade, em Kazan, na Rússia, ele já conquistou. Zanetti venceu também as etapas da Copa do Mundo em Anadia e em Doha.

Mesmo com calendário menos carregado, Zanetti ainda terá que representar São Caetano nos Jogos Abertos de Mogi das Cruzes, além de competir no Japão, Suíça e República Checa.

Zanetti e Goto não estão obcecados com o ouro no Mundial. O objetivo, é claro, é o bicampeonato olímpico. Outros movimentos estão sendo treinados, mas ainda não estão prontos.

Hoje, o sonho da dupla é um sistema de calefação no modesto ginásio do SERC Santa Maria. “Vivemos extremos de temperatura aqui. Ou faz muito calor ou muito frio”, diz Goto, feliz por finalmente contar com um conjunto de aparelhos completo de musculação.

Parte dos equipamentos foi comprada pelo Comitê Olímpico Brasileiro, e parte foi doada pelo Clube Aramaçan, de Santo André. “Para eles, são aparelhos ultrapassados, mas para nós servem”, diz Goto. “Do Ministério do Esporte só recebi promessas”, reclama.

Existe um projeto de construção de um Centro de Treinamento de Ginástica, elaborado pela prefeitura e pelo Ministério, mas ainda não existe previsão de data para o início da obra. A atual estrutura, onde treina Zanetti, foi melhorada graças aos esforços do engenhoso Arquimedes, o pai de Arthur, que construiu comportas para impedir que o local se alagasse com as águas que desciam do campo de futebol contíguo.

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