Ricardo Bufolin/CBG
Ricardo Bufolin/CBG

Zanetti se sente à vontade no papel de líder dos ginastas

Em fevereiro, o ginasta instigou atletas de seu clube a fazerem greve para forçar pagamento de salários

Nathalia Garcia, enviada especial, O Estado de S. Paulo

11 de março de 2014 | 05h18

SANTIAGO - Desde que conquistou o ouro olímpico, em 2012, Arthur Zanetti assumiu o papel de porta-voz da ginástica masculina brasileira e passou a brigar por melhores condições de trabalho para os seus companheiros. E ele se mostra cada vez mais confortável nesse papel.

"Vou fazer o máximo para sempre ajudar todo mundo, não só os atletas de São Caetano", disse ele. "A gente sabe que não é fácil e precisa ter uma voz que chame atenção."

Em fevereiro, Zanetti instigou os atletas de seu clube, o Serc Santa Maria, de São Caetano do Sul, a cruzar os braços por um dia. A greve deu resultado e a prefeitura pagou os salários atrasados. O campeão não sabe se a paralisação é sempre o melhor caminho a ser seguido, mas fica satisfeito por ter resolvido o problema. "Sei que funcionou e a gente foi ouvido. Se outro atleta fizer essa ação, não sei dizer se vai dar certo para ele."

Com a proximidade dos Jogos do Rio, em 2016, o ginasta espera pela construção de mais centros de treinamento de alto nível e alerta para problemas como a superlotação do Pinheiros, que recebeu os atletas do Flamengo após o fim da modalidade no clube carioca. No Serc Santa Maria, ele exalta a aparelhagem, mas reclama de goteiras quando chove.

Apesar de ser a grande estrela da ginástica brasileira no momento, Zanetti diz que não pensa apenas no sucesso individual. Para ele, o grupo está em primeiro lugar, sobretudo nas competições. "Se você perguntar para cada um, todo mundo vai falar em equipe porque sabe o quanto é difícil trabalhar. Queremos uma melhor pontuação para levar a equipe completa para a Olimpíada."

CARREIRA

Mas é claro que Zanetti também se concentra em objetivos individuais, como a conquista do bicampeonato olímpico nas argolas. Seu foco agora é trabalhar para dificultar a sua série, aumentando a nota de partida.

No Mundial de Antuérpia, no ano passado, Zanetti sentiu uma grande pressão para vencer. Até por isso, tem feito um trabalho psicológico para não se desestabilizar na Olimpíada. "Com certeza defender o título é muito pior. É lógico que estar em casa é um ponto positivo para mim, mas mesmo assim vai ser mais difícil."

Ontem, com pressão evidentemente menor do que a que vai encarar em 2016, Zanetti conquistou a medalha de ouro nas argolas dos Jogos Sul-Americanos, disputados em Santiago, com a nota de 15.900.

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