Felipe Chirst/Divulgação
Felipe Chirst/Divulgação

Zé Roberto espera continuar na seleção

Tricampeão olímpico, treinador só não abre mão de trabalhar no comando do time da Amil

Ricardo Brandt, O Estado de S.Paulo

21 de agosto de 2012 | 03h05

CAMPINAS - O técnico da seleção brasileira feminina de vôlei, José Roberto Guimarães, afirmou ontem que tem vontade de continuar no comando, mas tudo vai depender das negociações com o presidente da Confederação Brasileira de Vôlei (CBV), Ary Graça. O dirigente quer um treinador exclusivamente na seleção.

"A gente vai ter de conversar, eu estou muito feliz com que estou fazendo hoje", afirmou Zé Roberto, que assumiu ontem o comando do recém-formado time de vôlei da Amil, em Campinas. Ele fechou contrato para a temporada 2012/2013.

"Ele nunca me propôs exclusividade. E sempre foi muito maleável nesse sentido, até porque eu preciso trabalhar. Não conversei com ele, não sei qual é a proposta que vai acontecer", afirmou o técnico tricampeão olímpico. "Tenho vontade de ficar."

Há seis anos atuando fora do Brasil, Zé Roberto volta para comandar uma equipe montada do zero, mas com atletas experientes e consagradas, como as medalhistas em Londres Walewska e Fernandinha, a cubana Daymi Ramirez e a revelação búlgara Elitsa Vasileva.

"Meu sonho sempre foi voltar e dirigir um time em casa. A gente conseguiu unir tudo, trazer o time para Campinas, montá-lo com uma grande empresa."

Zé Roberto garante que não vai abrir mão de atuar no Brasil. "Eu sempre preferir estar em constante trabalho, de estar na ativa. A federação está projetando sete meses para o clube e cinco meses para as seleções nacionais. Seriam sete meses que eu ficaria praticamente sem atuação direta. Por isso, sempre optei por ficar em atividade."

O técnico avaliou que os anos fora do Brasil foram importantes "para seu aprendizado" como profissional, mas a distância de casa pesou na decisão de assumir uma nova equipe brasileira.

"Foram anos de estudo, não foi pelo lado financeiro, porque eu ia ganhar a mesma coisa aqui, mas foi pelo lado de aprendizado. Poder ficar fora, conhecer as jogadoras das outras seleções do mundo, de entender o nível de cada uma delas."

Sem férias e há noves anos na seleção brasileira, Zé Roberto afirma que a decisão de ficar perto de casa pesará nas negociações com a CBV. "Deixei as coisas que eu mais gosto, a minha casa, a minha família, meus amigos. Apesar de minha mulher ter ido comigo, minhas filhas ficaram, meu neto ficou. Isso é mais complicado. Na realidade não vi minhas filhas cresceram, quem foi pai e mãe foi minha mulher. E com meu neto está acontecendo a mesma coisa."

Apesar da distância, Zé Roberto afirmou que não se arrepende do trabalho à frente da seleção. "Tudo valeu à pena, eu faria tudo outra vez. O que mais me preocupa é o tempo. Em Campinas eu estou em casa."

O time de vôlei da Amil conta rá com revelações que atuaram na seleção B e uma equipe técnica mais que experiente. "Conseguimos montar um time legal. No primeiro ano a gente vai sofrer mesmo. No segundo ano as coisas melhoram. Os outros times já estão estruturados, com base montada."

O jogo de estreia da Amil no Campeonato Paulista será no dia 29, contra a Uniara/C.Náutico, em Araraquara, sem a presença de Zé Roberto. O técnico, supersticioso assumido, estará numa peregrinação em Santiago de Compostela, na Espanha. Sua estreia oficial será em Campinas, no dia 4, contra o Pinheiros.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.