Marcio Fernandes/AE
Marcio Fernandes/AE

'Zebra', a maior inimiga dos pilotos

No circuito do Anhembi, elas são mais altas do que em outros locais, atrapalham e chegam a machucar corredores

MILTON PAZZI JR., O Estado de S.Paulo

29 de abril de 2011 | 00h00

SÃO PAULO - Em corridas de automóvel, consegue o melhor desempenho quem faz uma curva de forma mais reta possível, pois não perde aceleração. É preciso, porém, que a pista "colabore". Por isso, a preocupação dos pilotos da F-Indy para a etapa de São Paulo, domingo, no circuito de rua do Anhembi, não é o piso e as ondulações, e sim as zebras nas 11 curvas. Altas, elas mais atrapalham do que ajudam, e até mesmo machucam. As piores estão na saída do Sambódromo - a curva 1 - e na entrada da Marginal do Tietê - a curva 10.

"No ano passado, fui mudar o traçado e passei por cima da zebra da curva 10. Parecia uma paulada no meu peito", conta o brasileiro Helio Castroneves, da Penske. Ele tentou mudar o formato das zebras, trazendo um modelo usado em pistas dos Estados Unidos (em vez de concreto e alta, é feita com placas de fibra, flexíveis). Fez uma reunião com a Prefeitura no começo deste ano, mas não teve o pedido atendido.

"Quando o Helio falou que a zebra vai ser igual, minha mão até começou a doer de novo, porque minha dor naquela corrida foi muito intensa", reforçou Bia Figueiredo, da Dreyer&Reinbold, que está com proteção na mão direita, quebrada em acidente na etapa de abertura, em São Petersburgo, há quase um mês.

"Recebemos a solicitação dos pilotos, mas decidimos, em conjunto com o pessoal da Indy, manter o que usamos no ano passado", resumiu o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (PSD). O principal problema é a burocracia: não foi possível importar peças a tempo para a prova, nem ter certeza se podem ser produzidas aqui no País.

Por causa disso, foram retiradas as zebras das curvas 6, 7, 8 e 9, que formam o trecho mais lento (após os boxes). Com essa mudança, somada ao asfalto novo, acredita-se que a pista possa estar dois segundos mais rápida.

Relargada. Uma certeza de emoção será o recomeço da prova após uma bandeira amarela. A relargada, a partir deste ano, acontece em fila dupla. E como a curva 1 (no fim da reta do Sambódromo) é fechada (um "S" para esquerda e depois para a direita, em 2.ª marcha), é praticamente certo que acontecerão batidas e que todos esperam escapar.

"Sempre tem aquele que quer ganhar cinco posições de uma vez e força isso. Mas estão avaliando que o público gosta disso, trouxe mais uma emoção, então vamos lá", conta Vitor Meira (AJ Foyt). "O que eu sei é que não vou estar lado a lado naquela chicane", conta Raphael Matos (AFS), lembrando que existe uma área de escape grande no setor, o que alivia bastante.

"A vantagem aqui é que a reta é mais curta, então a velocidade é menor, mas sempre tem os mais agressivos e os mais inteligentes, que sabem como é importante somar pontos aqui", aponta Tony Kanaan (KV-Lotus), recuperado de uma virose que o deixou em casa nesta semana.

Montagem. Quase todas as equipes e pilotos chegaram a São Paulo ontem e já montavam os carros para a pesagem de hoje. Apenas os dois principais times não trabalhavam nos seus seis carros: Ganassi e Penske, que teve problemas de voo e só estará com todo o pessoal hoje à tarde.

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