Zebra, sim. E daí?

Vamos direto ao assunto. Em condições normais de temperatura e pressão, o Barcelona vence o Santos, seja no Japão, na Catalunha ou na Vila Belmiro. E antes que as cornetas trombeteiem pelos quatro cantos, raivosas, dizendo que este jornalista está torcendo contra o representante brasileiro, vamos levar (ou pelo menos tentar levar) esta discussão para o lado racional. O Barcelona é o melhor time do mundo na atualidade (e um dos melhores de todos os tempos) e entra como favorito diante de qualquer equipe. Por que seria diferente contra o Santos?

WAGNER VILARON, O Estado de S.Paulo

15 de dezembro de 2011 | 03h05

Poderia discorrer aqui diversos clichês capazes de manter a esperança do torcedor santista, como "em disputa de um jogo só pode acontecer de tudo" ou "o futebol permite surpresas", entre outras. Todas são verdadeiras, mas nenhuma é capaz de tirar o favoritismo dos espanhóis em uma provável e esperada final do Mundial de Clubes.

Pausa: Caramba, neste momento interrompo a redação da coluna... caiu minha ficha de que tudo o que escrevo aqui pode ficar sem sentido logo às 10h30 de hoje, "basta" que o Barça seja eliminado pelo Al-Sadd e... Peraí, cá entre nós, se o Barcelona perder para o time catari será, provavelmente, uma das, ou melhor, a maior zebra de todos os tempos. Então, confiante na lei do improvável, vamos adiante na linha de raciocínio...

Ao invés de simplesmente torcer para que Ganso e Neymar acordem com o pé direito, que Borges esteja com a pontaria em dia ou que o goleiro Rafael defenda até pensamento, seria mais interessante partir da premissa de que o adversário é melhor e do que poderia ser efeito para tentar anular parte de suas virtudes.

Por exemplo: Todo o merecido oba-oba em torno do futebol vistoso do time catalão, baseado em posse e toque de bola, faz com que uma característica fundamental para viabilizar este estilo de jogo passe quase despercebida.

A equipe de Pep Guardiola conta com um dos melhores preparos físicos do planeta. Tal virtude permite que os jogadores movimentem-se intensa e freneticamente durante toda a partida e, assim, desfrutem e aproveitem da alardeada posse de bola e do talento de craques que tanto cativam fãs pelo planeta.

Portanto, parece uma perda de tempo destacar alguém para colar em Messi ou em qualquer outro atleta. Jogadores como o argentino e Neymar, quando inspirados, são "imarcáveis". Eles exigem, sim, organização e disciplina tática do sistema defensivo. E a vitória por 3 a 1 sobre o Kashiwa, ontem, não serviu para esconder que neste ponto está o principal desafio de Muricy Ramalho até o fim de semana.

Mesmo improvisado como lateral esquerdo, Durval ainda é o melhor zagueiro santista. Não faz sentido liberá-lo para avançar, como ocorreu ontem. Não por acaso as melhores jogadas dos japoneses saíram por aquele setor. Com tanto espaço, imaginem a festa que os catalães fariam. O desafio é retomar a posse de bola e, aí sim, torcer por um dia inspirado de Ganso, Neymar e Borges.

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