Zebras existem...

Assim como xingar juiz de ladrão e chamar técnico de burro, o que jamais sumirá do futebol é a zebra. Entidade clássica, folclórica e temida, vira e mexe passeia solta pelos gramados a fazer estragos diante de poderosos e favoritos. No começo da noite de ontem, ela deu o ar da graça, no Pacaembu, sob o nome de Figueirense, e lascou 2 a 0 no Corinthians. O líder do Brasileiro imaginava fazer a festa do título simbólico de campeão do primeiro turno, mas vai dormir de cabeça quente e hoje torce contra o Flamengo, que visita o Internacional.

Antero Greco, O Estado de S.Paulo

21 de agosto de 2011 | 00h00

O Corinthians tratou de impor-se e Tite optou pela formação que no meio de semana havia batido o Atlético-MG por 3 a 2, de virada. Apostou outra vez no toque de bola de Alex e Danilo como alternativa para envolver o Figueirense, além da velocidade de Jorge Henrique e dos deslocamentos de Liedson.

O líder foi pra cima do Figueirense, criou algumas oportunidades, mas se enroscou na marcação e acusou o primeiro golpe, com o gol de Wellington Nem aos 34 minutos. Tite tentou tornar a equipe mais veloz e agressiva, na etapa final, colocou Willian no lugar de Danilo e Emerson em substituição e Weldinho. Pressão não faltou; pontaria e calma, sim. O time catarinense recuou, aguentou o tranco com vigor e ainda por cima fechou a noite com gol em cima da hora: Pittoni, aos 47 minutos, depois de aproveitar rebote de bola na trave.

Antes do jogo, o Figueirense parecia o sparring ideal, pelo retrospecto pobre na competição: em oito apresentações como visitante, havia perdido cinco, contra dois empates e uma vitória. Agora, tem duas, porque zebras existem! E incompetência também.

Clássico sob tensão. Nos tempos em que o futebol era mais ameno, clássicos tinham definição pomposa. Thomas Mazzoni, lendário diretor de A Gazeta Esportiva, na década de 1940 referia-se a São Paulo x Palmeiras como o Choque Rei, pela imponência das equipes. O nome pegou e, apesar de atualmente coisas singelas andarem em baixa, há quem se lembre do apelido com nostalgia. Mas hoje, por tudo o que tem acontecido com palestrinos e tricolores, dá para prever mais trombada do que duelo entre agremiações altivas. Ambas têm pisado na bola e são vistas com desconfiança.

O risco de danos maiores é do Palmeiras. Nas últimas quatro rodadas, marcou passo, com três empates (1 x 1 Coritiba, 0 x 0 Grêmio, 1 x 1 Bahia) e a derrota para o Vasco (1 a 0). Os 28 pontos só não o deixam ver o Corinthians com lupa porque seu adversário do domingo que vem fez o favor de perder para o Figueirense.

O time oscila, como mostram os 3 pontos ganhos nesses 12 disputados. Valdivia e Kleber, referências na linha, negam fogo. O chileno não tem sequência contundente - numa hora está fora de forma, noutra é a seleção de seu país, ou então está suspenso, como é o caso desta rodada. Faz tempo que não desequilibra, embora tenha marcado contra o Bahia.

O Gladiador anda numa secura maior: a última vez que festejou bola na rede foi em 19 de junho, ao fazer dois nos 5 a 0 sobre o Avaí no Canindé. De lá pra cá teve notoriedade por espinafrar a diretoria, quando estava com um pé no Flamengo e outro na enfermaria. Corre, sua, batalha e... nada de gols.

O São Paulo também não atravessa maré mansa e muda a toda hora. São contusões, suspensões, jogadores convocados para seleções ou escolhas táticas. A escalação flutua mais do que cotação de commodities na Bolsa de Valores em tempos de crise.

Nas rodadas precedentes, perdeu chance de ficar ao lado do Corinthians, com empates contra times na zona de perigo (2 a 2 Atlético-PR e 1 a 1 América-MG). Para complicar, Lucas está suspenso. Baixa de peso, se bem que o rapaz tem acusado o vaivém de compromissos na seleção, e a produção já não é a mesma.

Não costumo jogar na Loteca, nem sei se o clássico está lá. Se fizesse uma fezinha, e não pudesse colocar triplo, cravaria empate. A situação está complicada para os dois lados.

E o Cuca, heim?! Cuca deixou o Cruzeiro em baixa e recentemente foi chamado para apagar incêndio no Atlético-MG. Até agora foram quatro jogos e outras tantas derrotas - três no Brasileiro (ontem 3 a 1 para o Botafogo) e uma na Copa Sul-Americana. Há momentos em que o melhor que um técnico tem a fazer é ficar em casaquieto e curtir um período sabático.

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