Zeferina, "a menina superpoderosa"

Com apenas 60% de suas condições físicas, Maria Zeferina Baldaia deu show na Maratona de São Paulo. A força para superar uma tendinite na coxa direita foi inspirada no desenho animado ?Meninas Superpoderosas?, que costuma assistir nas horas vagas e até pintou em suas unhas. "Me inspirei na força delas, no carisma. Quis ser como elas e deu tudo certo", disse a simpática, sorridente e trêmula atleta, após a prova deste domingo, enrolada na bandeira do Brasil. "Ai, como faz frio em São Paulo." E a brincadeira continuou na entrevista coletiva, ao lado da amiga Márcia Narloch, segunda colocada (tempo de 2h37min20). "Eu e a Marcinha somos superpoderosas."Maria Zeferina, que conquistou a tríplice coroa em São Paulo - havia sido a melhor na Corrida de São Silvestre e na Prova Aniversário de São Paulo -, comemorou a vitória como uma criança. Após cruzar a linha de chegada, ao contrário das outras competidoras, parecia não sentir a estafante prova de quase três horas - terminou a prova com 2h36min07. Saiu correndo para o meio da multidão que aplaudia seu feito e vibrou muito. "Era para soltar a musculatura", revelou. "E aproveitei para agradecer o carinho dos paulistanos. Eles torceram bastante, confiaram nas brasileiras."Como prometeu, Maria Zeferina - lutava para chegar entre as cinco primeiras - manteve-se no pelotão da frente até o 30º km, quando ela e Narloch se distanciaram das demais competidoras. A 3 mil metros do final, ela disparou.Se para Zeferina era só festa, Narloch, bicampeã em 99 e 2000 e vice em 2001, estava decepcionada. "Fico triste pelo segundo lugar, mas sempre vence a melhor, e ela teve mais raça e dedicação no final," disse, sobre a força da amiga. A chilena Erika de la Fuente foi a terceira, 2h38min11, seguida das russas Svetlana Boigulova (2h39min49) e Irina Permitina (2h41min08).

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