Zetti: ''Nunca fui tão decisivo como em 1994''

"Tive grandes atuações em minha carreira, mas nunca fui tão decisivo no resultado de um jogo como naquele 27 de abril de 1994, no Pacaembu. Era o primeiro jogo das oitavas de final da Taça Libertadores. O São Paulo, que vinha de dois títulos consecutivos, estava desfalcado de Válber e Palhinha, enquanto o Palmeiras tinha um grande time, com Evair, Edmundo, Edílson, Roberto Carlos e Rincón. Era certeza de que seria um grande duelo. Desde o início do jogo o Palmeiras veio para cima e o São Paulo buscava ser perigoso nos contra-ataques. O primeiro tempo foi mesmo um massacre do Palmeiras. Fiz muitas defesas, mas destaco três grandes, em finalizações do Roberto Carlos, um chute de longe cruzado, do Evair e do Edmundo, ambos dentro da área. Me perguntaram se eu teria jogado bem para me vingar do Palmeiras, que não quis ficar comigo depois que eu quebrei a perna em um jogo contra o Flamengo, no Campeonato Brasileiro de 1988, no Maracanã, após uma dividida com o Bebeto. Bobagem. Nunca pensei dessa forma. Acontece que enfrentar um time tão perigoso como era o Palmeiras deixava a gente ligado. Era tensão pura nos 90 minutos. Você nunca sabe o que jogadores tão bons podem fazer de um segundo para o outro. Então, eu acabava tendo um desempenho muito melhor na partida. E o São Paulo, apesar de toda a pressão do Palmeiras, poderia ter vencido aquele jogo, se o juiz João Paulo Araújo tivesse marcado pênalti do César Sampaio no Euller. O agarrão pela camisa foi claríssimo. Todo o público viu a falta (17.296 pagantes). O empate sem gols foi importante para nós, pois o segundo jogo foi no Morumbi. Nós vencemos, com dois gols do Euller, e seguimos na tentativa de conquistar o tricampeonato da Taça Libertadores. Só paramos na decisão, diante do Velez Sarsfield, da Argentina."

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