Zico põe o Usbequistão no mapa

O eterno ídolo do Flamengo aceita convite para treinar o Bunyodkor, time que recentemente contratou Rivaldo

Hilton Mattos, O Estadao de S.Paulo

23 de setembro de 2008 | 00h00

Zico deu salto ousado na carreira de treinador. Depois de dirigir a seleção japonesa na Copa da Alemanha (2006) e o Fenerbahçe, da Turquia, nas duas últimas temporadas, acertou ontem com o Bunyodkor, do Usbequistão, time que já tem Rivaldo e os ex-vascaínos Luizão e Villanueva. Assim, interrompe período de quatro meses à espera de definição do mercado.O eterno camisa 10 do Flamengo despertara interesse, recentemente, dos clubes ingleses Manchester City e Newcastle. O CSKA, da Rússia, e o Benfica também haviam feito sondagens para Zico, que não fechava questão em torno de país, língua ou cultura. Em conversas com amigos, disse que não estava preocupado só com dinheiro. Ao contrário, dava prioridade para condição de trabalho, estrutura e projeto do clube que quisesse contratá-lo.Zico viajou ontem à tarde para o Usbequistão. Pela manhã, os dirigentes do novo clube lhe enviaram uma cópia do contrato. Como a negociação já vinha sendo intermediada por Rivaldo, o Galinho rumou para a Ásia Central a fim de cuidar dos últimos detalhes."Na Ásia, já falavam na minha contratação. Há acerto verbal com os dirigentes do clube e estou embarcando para a assinatura do contrato", confirmou Zico, em seu site. "Prefiro dar mais detalhes quando estiver lá, mas a idéia é que retorne ao Brasil apenas no início de dezembro, após o término do campeonato nacional."Zico assina contrato de um ano. O Bunyodkor, com 54 pontos, é o vice-líder do campeonato local - um ponto atrás do Pakhtakor. Amanhã, o time usbeque enfrenta o Saipa, do Irã, pelas quartas-de-final da Liga dos Campeões da Ásia. Embora não sejam amigos, Zico e Rivaldo trabalharam juntos na Copa da França, em 1998. Na época, o presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Ricardo Teixeira, criou o cargo de coordenador técnico da seleção para fazer sombra ao técnico Zagallo e Zico foi o escolhido. A dupla nunca falou a mesma língua. O Velho Lobo se sentia ameaçado. Zico também foi determinante no episódio do corte de Romário, poucos dias antes da estréia. Ele havia se desentendido com o craque, por causa das regalias que recebia no Flamengo. Romário, vítima de lesão muscular, não estaria apto para disputar a primeira fase. Zico foi a favor do desligamento do jogador. O volante Emerson foi convocado às pressas. Como treinador, Zico estreou em 2003 na seleção japonesa. Depois de encerrar a carreira no Flamengo, em 1990, e ensaiar alguns passos na política à frente do Ministério do Esporte do governo Collor, atuou como dublê de jogador e dirigente no Sumitomo, mais tarde Kashima Antlers. Nessa função, deu força para divulgar o futebol do Japão, que se tornou o sonho de jogadores e treinadores em meados dos anos 90. Diante do fracasso do Japão e do sucesso da Coréia do Sul na Copa de 2002, a Federação Japonesa convidou Zico para assumir a seleção e reestruturar a futebol naquele país. O Japão conquistou a Copa da Ásia e foi a primeira seleção a se classificar para o Mundial da Alemanha. Mas, num grupo com Brasil, Croácia e Austrália, não passou da primeira fase. Terminada a Copa, Zico foi direto para a Turquia, onde conquistou o nacional na temporada 2006/07 e a Supercopa, em 2007. Na última edição da Copa dos Campeões da Europa, o Fenerbahçe fez sua melhor campanha. O time, que nunca havia passado da primeira fase, foi eliminado nas quartas-de-final pelo poderoso Chelsea.

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