A 100 dias para início dos Jogos, Rio recebe a chama olímpica

Cerimônia aconteceu nesta quarta-feira, em Atenas

Estadão Conteúdo

27 de abril de 2016 | 13h22

A exatos 100 dias para o início dos Jogos do Rio, a chama olímpica finalmente chegou às mãos do Brasil. A cerimônia no Estádio Panatenaico, em Atenas, foi realizada nesta quarta-feira e marcou o fim da passagem da flama pela Grécia para, enfim, ser entregue ao presidente do Comitê Olímpico do Brasil e do Comitê Organizador dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos do Rio, Carlos Arthur Nuzman.

Como já se tornou tradição, o Estádio Panatenaico, palco da primeira Olimpíada da era moderna em 1896, recebeu a passagem da chama. Depois de rodar por toda a Grécia, a flama agora é de responsabilidade brasileira. Mas antes de chegar ao País, ela ainda passará pela Suíça, onde ficará até a próxima terça-feira, para, só então, embarcar para o Brasil.

"O Rio está pronto para fazer história. O esporte é nosso mundo, a chama olímpica é nosso norte", disse Nuzman. "Nunca estamos sozinhos. Sem a ajuda do presidente do COI (Comitê Olímpico Internacional), Thomas Bach, e toda sua equipe, estaríamos sem rumo. Mas sabíamos que o governo e o povo brasileiros nos apoiariam."

Sem a presença da presidente Dilma Rousseff, que desistiu de ir à Grécia em meio à crise política no Brasil, Nuzman se tornou o representante do País na cerimônia, ao lado do ministro do Esporte, Ricardo Leyser. E o presidente do COB fez questão de exaltar o clima de união para os Jogos.

"Os Jogos Olímpicos pertencem a todos os povos, a todos os países e à humanidade. Queremos manter a promessa de fazer todas as pessoas participarem dos Jogos. O Brasil aguarda pela chama olímpica com paixão. Vamos levar a experiência olímpica a todos os cantos do País, que é bonito por natureza", comentou.

O evento desta quarta seguiu o tradicional protocolo repetido a cada edição da Olimpíada. Com bandeiras da Grécia e do Brasil posicionadas no centro do estádio, crianças interpretaram os hinos nacionais de ambos os países, além do olímpico. Houve apresentação de músicas e danças típicas das duas nações.

A chama olímpica percorreu seus últimos metros em território grego. Depois de percorrer 27 cidades do país nas mãos de 450 condutores, finalmente passou a ser de posse brasileira. E após uma breve escala na Suíça, chegará ao Brasil, onde rodará por mais de 300 cidades até a cerimônia de abertura, marcada para o dia 5 de agosto.

DISCURSO DO PRESIDENTE CARLOS NUZMAN:

"Aqui estamos nós, dois países trabalhando juntos. Duas pessoas que escrevem a história neste lugar histórico.

Esta é a alma do Movimento Olímpico. Construímos pontes pelo mundo; inspiramos gerações com exemplos de garra e glória, que não podem ser vistas em nenhuma outra empreitada; e seguimos em frente deixando uma mensagem de amizade, esperança e paz.

O esporte é o nosso mundo, o Olimpismo nossa vida e a chama Olímpica nossa estrela norte. Seguimos o caminho que os deuses gregos e heróis humanos desenharam com determinação.

Hoje, neste estádio magnífico, o passado volta à tona como se viajar no tempo fosse possível. Este é o santuário no qual os primeiros Jogos Olímpicos da Era Moderna aconteceram 120 anos atrás. Aqui veneramos os valores do Olimpismo.

Se de fato pudéssemos voltar no tempo até 2009, em Copenhagen, viveríamos mais uma vez o momento de alegria quando fomos presentados com a honra de sediar os Jogos da 31ª Olimpíada. Aquele foi um momento que nunca esqueceremos. Estou muito feliz de estar entre tantos amigos aqui. O meu querido amigo, Sr. Spyros Capralos, estava lá. Obrigado pela sua ajuda.

Repito agora o que falamos então: o Rio está pronto para fazer história.

Estamos prontos porque nunca estivemos sozinhos. Sem a ajuda do Comitê Olímpico Internacional, com o presidente Thomas Bach e sua equipe, estaríamos movendo sem rumo. A orientação de sua Comissão de Coordenação, que tem a liderança da campeã olímpica Nawal El-Moutawakel, nos deu a força necessária para seguir em frente.

Sabíamos desde o início que o governo e o povo brasileiro nos apoiariam. Dissemos a vocês, em Olímpia, que quanto mais vezes visitamos a Grécia, mais em casa nos sentimos. Casa, para nós, é o lugar onde temos amigos.

Me permitam, senhoras e senhores, fazer uma pausa. Não para apreciar o ar, água ou energia puros dessa terra. Isso temos bastante no nosso amado Brasil.  Mas para agradecer àqueles que tornaram essa jornada possível.

Começamos por prestar nossas homenagens aos trabalhadores do Rio. Aqueles que construíram dois Parques Olímpicos, que instalaram os BRTs e que levarão o metrô à Barra a tempo para os Jogos. E todos aqueles que fizeram dos nossos, seus próprios sonhos...

Construir os Jogos Olímpicos é um esporte coletivo. Nós fizemos os nossos com a ajuda dos servidores dos três níveis de governo: federal, estadual e municipal – aqui representados pelo nosso ministro de esporte, Sr. Ricardo Leyser e pelo advogado geral do Rio, Sr. Fernando Dionísio, no lugar do prefeito Eduardo Paes. O secretário de Estado do Esporte, Sr. Marco Antônio Cabral também faz parte deste time vencedor. Precisamos ainda lembrar dos nossos 56 mil voluntários, que estão prontos para levar graça e trabalho duro às nossas instalações, e dos meus colegas no Rio 2016.

Nossa missão, queridos amigos, é maior do que o próprio Brasil. Como vocês sabem, é uma nação muito grande e bonita. Mas também representamos aqui a população de todas as nações da América do Sul: mais de 450 milhões de pessoas. Os Jogos Rio 2016 traçam uma nova fronteira no Movimento Olímpico. Os primeiros Jogos no lado sul das Américas convidam todas as nações, especialmente as da África, do sul da Ásia e dos jovens países, que vivam o sonho Olímpico. Aquela decisão em Copenhagen abriu as portas para novas regiões do mundo. É uma mensagem poderosa ao mundo.

Os Jogos Olímpicos pertencem a todas as pessoas, a todos os países, a toda a humanidade. Estamos cumprindo a promessa de dar a milhões de pessoas a chance de ser parte da história.

Esta jornada só é possível com o apoio do COI e das Federações Internacionais, e é especial porque os Comitês Olímpicos Nacionais deste mundo estão engajados. Nosso sucesso é a glória do Movimento Olímpico.

O Brasil está aguardando a chama Olímpica com alegria e paixão. Estaremos aí em breve. Quando chegarmos, vamos entregar a promessa de levar a experiência Olímpica a todos os cantos do país, que é bonito por natureza. Todas as capitais dos estados, mais de 300 cidades e 12 mil condutores unidos para transformar nossa nação e construir o futuro que sonhamos.

Antes de chegar à Brasília, nossa capital, no dia 3 de maio, ainda temos uma promessa a cumprir. Vamos levar o fogo sagrado à Suíça, na sede da Organização das Nações Unidas, em Genebra.

Ainda há outra fronteira a ser explorada. A fronteira da inclusão, da educação e da trégua. A ONU tem 193 países-membros; o COI, 206. Mas na cerimônia de abertura do Rio, haverá 207 grupos de jovens atletas desfilando. Um grupo de refugiados também estará lá para mostrar solidariedade, uma mensagem certamente importante que o esporte pode passar nesses momentos turbulentos.

Entendemos nossa responsabilidade como guardiões da chama Olímpica.

O tamanho da tarefa que temos pela frente nos obriga a seguir para frente em vez de rápido. O mês de agosto se aproxima em um instante. Quando chegarem ao Rio, nossa cultura os receberá com charme. Teremos muita música, poesia, amor e alegria. Vamos celebrar juntos.

Temos muitas razões para ficarmos felizes. Estamos construindo um futuro melhor para os meninos e meninas do nosso planeta. Este é o futuro que sonhamos e o merecemos.

Obrigado, thank you, efariston."

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.