Valter Campanato|Agência Brasil
Valter Campanato|Agência Brasil

A complexa missão de mapear ameaças em grandes eventos

Defesa Química, Biológica, Radiológica e Nuclear emprega tecnologia sofisticadíssima

O Estado de S.Paulo

28 de abril de 2016 | 07h00

Quais os procedimentos que a NASA adotará se um extraterrestre for localizado? Total isolamento num sistema de bolha e transporte a local seguro. Procedimentos similares, apenas vistos em filmes de ficção científica, já foram treinados pelas forças de defesa do Brasil. Imaginar riscos, mapear, preparar, coordenar e preparar o efetivo para a Defesa Química, Biológica, Radiológica e Nuclear (DQBRN) é a missão do general Felipe Linhares, chefe da assessoria especial para Grandes Eventos do Ministério da Defesa.

Os equipamentos empregados para a consecução dessa tarefa são um espetáculo à parte. Às vezes, eficientes até demais.

Linhares recorda um episódio até cômico ocorrido durante a Copa de 2014. Um monitor com tela colorida localizou uma fonte de amônia, substância que pode ser utilizada na fabricação de bombas caseiras, sob um assento do outro lado do anel de arquibancadas de um dos estádios. Acionado, um agente constatou, surpreso, que o material nada mais era do que alguns mililitros de urina, acondicionados num copo de cerveja por um torcedor que teve preguiça de ir ao banheiro.

“O nível de sensibilidade desses aparelhos é impressionante”, empolga-se o general. Após licitação, os equipamentos foram importados de vários países: Itália, Alemanha, Israel, EUA e Japão, por exemplo.

Existe capacidade para localização de ameaças até mesmo sob o solo. Se um detector acusar a presença de alguma emissão química debaixo da terra, existem veículos dotados de sondas capazes de perfurar o solo, colher amostras e até mesmo depositar bandeirolas que sinalizarão, no entorno da área afetada, que é necessário interditar e isolar o local.

O conhecimento acumulado para elaboração do plano de DQBRN é proveniente de várias fontes: uma delas é a interlocução com os responsáveis por esse trabalho em edições anteriores e recentes dos Jogos. Intercâmbios e cursos no exterior fornecem também subsídios, assim como experiências traumáticas nacionais, como o acidente radiológico de Goiânia, ocorrido em 1987, quando uma cápsula de Césio-137 foi aberta num ferro-velho, causando um episódio de contaminação por radioatividade gravíssimo. “Aquela experiência nos ensinou muito”, recorda o militar.

Segundo Linhares, o Brasil está preparado para fazer frente a ameaças. Episódios como a atuação dos profissionais que isolaram e internaram, no Rio, um brasileiro suspeito de contaminação pelo vírus ebola, localizado em Belo Horizonte, em dezembro do ano passado, fortalece sua confiança. “O pessoal deu um verdadeiro show”.

Linhares salienta que o Brasil está gabaritado para oferecer um ambiente seguro e pacífico para os Jogos, como prometido na apresentação de sua candidatura a sede dos Jogos, em 2009.

Tudo o que sabemos sobre:
Jogos OlímpicosOlimpíada

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.