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Pelé é um dos nomes cotados para acender a pira olímpica Divulgação

A escolha de quem acenderá a pira olímpica no Rio

Pelé, Torben e Scheidt são algumas opções para o dia 5 de agosto

O Estado de S. Paulo

26 de maio de 2016 | 07h00

Ele nunca disputou uma edição dos Jogos Olímpicos. Mas, aos 17 anos, conquistou seu primeiro título mundial e, após uma carreira brilhante no futebol, se transformou no maior nome da história do esporte brasileiro. Edson Arantes do Nascimento, o Pelé, é um dos favoritos para acender a pira olímpica dia 5 de agosto, no Estádio do Maracanã, na abertura da Olimpíada do Rio.

Se a tradição for mantida, um mesmo atleta não poderá carregar a tocha mais de uma vez. Com isso, Joaquim Cruz, campeão olímpico em Los Angeles-1984 nos 800 metros rasos, está fora da lista. Outro que seria um nome muito forte nesta escolha seria Adhemar Ferreira da Silva, duas vezes medalha de ouro no salto triplo (Helsinque-1952 e Melbourne-1956). O astro do esporte nacional morreu em 2001, aos 73 anos.

O iatismo, um dos esportes que mais levam o Brasil para o pódio olímpico, possui dois representantes fortes nesta disputa. Torben Grael é dono de cinco medalhas em cinco edições dos Jogos (1984, 1988, 1996, 2000 e 2004): dois ouros, uma prata e dois bronzes..

Desempenho semelhante tem Robert Scheidt: são dois ouros, duas pratas e um bronze. E ele, aos 43 anos, ainda tem a vantagem de estar na briga por mais uma conquista no Rio.

O vôlei, grande favorito a somar medalhas na quadra e na praia, tem dois nomes importantes: no feminino, Hélia Rogério de Souza Pinto, a Fofão. Campeã olímpica em Pequim, além de bronze em Atlanta-1996 e Sydney-2000.

No masculino, a indicação fica para Sergio Dutra Santos, o Escadinha, finalista nos três últimos Jogos Olímpicos com o time do técnico Bernardinho. Foi ouro em Atenas-2004 e duas vezes prata (Pequim-2008 e Londres-2012).

O vôlei de praia também tem uma dupla com credibilidade. Trata-se de Jaqueline e Sandra, dupla que ganhou o ouro nos Jogos de Atlanta, em 1996. Elas foram as primeira ateltas brasileira a subirem no lugar mais alto de um pódio olímpico.

Tanto Fofão como Escadinha ainda contam com a tendência de atletas de vôlei terem destaque nas festividades dos Jogos. Talvez pelo fato de o presidente do Comitê Olímpico Brasileiro (COB), Carlos Arthur Nuzman, ter sua origem também no vôlei, além ter sido presidente da Confederação Brasileira de Vôlei. Giovane Gávio foi o escolhido para ser o primeiro atleta brasileiro a carregar a tocha na Grécia no início do mês.

No basquete, que não vive um bom momento, possui duas opções de grande nível e que poderão ser lembradas pelos organizadores. A dupla Paula e Hortência, duas das maiores jogadores de todos os tempos, que ganharam a medalha de prata em Atlanta-1996. Talvez o período irregular da seleção feminina, que passa por um período de transição, possa ser desfavorável para as ex-jogadoras.

O judô, que traz medalhas para o País em todas as edições dos Jogos desde Munique, na Alemanha, em 1972, poderá ser lembrado por intermédio de Rogério Sampaio, campeão em Barcelona-1992 e melhor judoca da competição.

Dois grandes campeões olímpicos não deverão ser lembrados. Principal nome da natação brasileira, o velocista Cesar Cielo teve resultado adverso para a substância proibida furosemida em um exame antidoping feito no Troféu Maria Lenk, em maio de 2011, no Rio. Além dele, campeão olímpico e mundial, outros três nadadores brasileiros também foram flagrados: Nicholas Santos, Vinícius Waked e Henrique Barbosa.

De acordo com nota da Conmfederação Brasileira de Desportos Aquáticos (CBDA), os envolvidos declinaram do direito de realização da amostra B e definiram com precisão como o diurético entrou no organismo, o que comprovou que não houve aumento dos desempenhos, fato que não ocorreu nesta competição. Desta forma, a entidade optou apenas por uma advertência aos quatro atletas uma vez que não foi identificada culpa ou negligência por parte deles no episódio.

 

Cielo ganhou ouro em Pequim-2008 e outros dois bronzes. Aos 29 anos, ele não obteve classificação para estar no Rio. aurren Maggi, campeã no salto em distância em Pequim, foi pega no doping em 2003, antes dos Jogos Pan-Americanos de Santo Domingo, na República Dominicana.

Maurren Maggi foi acusada de doping, depois de um exame de urina feito naquela competição. A atleta alegou que não sabia da presença de clostebol, encontrado em seu organismo, na composição do creme cicatrizante Novaderm, que aplicou na virilha após uma sessão de depilação definitiva. Foi punida com dois anos de suspensão.

A natação pode ser lembrada pelo nome de Ricardo Prado, que foi medalha de prata em Los Angeles-1984. Já no atletismo, o velocista Robson Caetano obteve duas medalhas de bronze: uma em Seul-1988 e outra em Atlanta-1996.

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Relembre personalidades que já acenderam a pira olímpica

Muhammad Ali e Li Ning já tiveram a honra de 'abrir' os Jogos

O Estado de S. Paulo

26 de maio de 2016 | 07h00

O acendimento da pira olímpica é um dos momentos mais aguardados dos Jogos Olímpicos. Por esta razão, a identidade da personalidade escolhida é guardada a sete chaves até o momento decisivo.

Em Atlanta-1996, combalido pelo Mal de Parkinson, o ex-boxeador Muhammad Ali acendeu a tocha olímpica, em uma das cenas mais emocionantes de todos os tempos.

“Eu fiquei muito nervoso e minha tremedeira aumentou ainda mais. Talvez tenha sido um dos momentos mais difíceis de minha vida, pois não sabia se iria conseguir completar a minha missão”, disse o medalhista de ouro nos Jogos de Roma, em 1960, na categoria dos meio-pesados e que se tornou um dos maiores atletas de todos os tempos, ao conquistar três títulos mundiais no profissionalismo entre os pesos pesados, a principal categoria do pugilismo.

Em Londres-2012, sete jovens atletas – Callum Airlie, Jordan Duckitt, Desiree Henry, Katie Kirk, Cameron MacRitchie, Aidan Reynolds, Adelle Tracey e Austin Playfoot foram incumbidos de acenderem a pira.

Em Pequim-2008, o personagem foi o ginasta chinês Li Ning, ganhador de seis medalhas nos Jogos Olímpicos de Los Angeles-1984 – três ouros, duas pratas e um bronze. 

Li Ning correu pelas paredes do estádio “Ninho de Pássaro”, preso a cabos de aço, para acender uma espécie de pavio, que levou o fogo à estrutura colocada numa armação de ferro.

Além de ser um dos maiores ginastas da história da modalidade, Li Ning se transformou em um empresário de sucesso, ao fabricar e vender equipamentos para a prática de esporte.

 

Em Barcelona-1992, a honra de acender a tocha ficou com o arqueiro paralímpico Antonio Rebollo, ganhador de duas medalhas de prata e uma de bronze nos Jogos de 1984, 1988 e 1992. O arqueiro lançou o fogo, mas imagens amadoras posteriores ao evento mostraram que ele errou o alvo e a pira acabou sendo acesa automaticamente.

O fato não diminuiu a grandiosidade do evento e esta cerimônia de abertura também e apontada como uma das mais belas dos Jogos Olímpicos.

A utilização de pombos, simbolizando a paz entre as nações participantes dos Jogos , foi constantemente usada na abertura dos Jogos, mas acabou deixada de lado a partir de Seul-1988, quando vários pássaros foram queimados na plataforma da pira olímpica.

 

Em Moscou-1980, os russos emocionaram o mundo com o choro do ursinho Micha, formado por placas seguradas por jovens, que formaram painéis na cerimônia de encerramento. Na abertura, Sergei Belov, um campeão olímpico do basquete masculino, em Munique-1972, carregou a tocha por sobre as placas para chegar à pira olímpica.

Belov foi um dos líderes do time que derrotou os Estados Unidos na disputa da medalha de ouro em uma das partidas mais emocionantes de todos os tempos. A cesta russa, que definiu a espetacular vitória, por 51 a 50, foi anotada no último segundo de partida. 

Se na Rússia o esforço humano foi o destaque na cerimônia de abertura, quatro anos mais tarde em Los Angeles, os norte-americanos concentraram suas forças na tecnologia, que causou um momento de grande perplexidade com a entrada no estádio de um “homem-foguete”. 

 

Pouco antes, o estádio se emocionou com a entrada no “Colyseum” de Marlene Dortch, neta do mítico Jesse Owens – ganhador de quatro medalhas de ouro na Olimpíada de Berlim, em 1936 – , carregando a chama olímpica. A honra para acender a pira olímpica ficou para Rafer Johnson, um decatleta que foi campeão olímpico nos Jogos de Roma-1960. 

CASAL

Os canadenses inovaram em Montreal (1976), ao colocar um casal com a honra de acender a pira: Sandra Henderson e Stephane Prefontaine, dois jovens atletas. Chegaram a noticiar o casamento dos dois anos depois, mas jamais foi confirmado pela dupla.

Nos Jogos de Munique-1972, o escolhido para carregar a tocha até a pira foi Günter Zahn, de 18 anos, que teve sua carreira marcada pela versatilidade nas provas disputadas. Foi corredor de 1.500 metros, 3 mi, 5mil e até maratona. O detalhe de sua participação na abertura da olimpíada foi o fato de duas marcas esportivas alemãs disputarem seu uniforme. Sem chegar a um acordo, o atleta vestiu uma roupa sem nenhum patrocínio.

No México, em 1968, Enriqueta Basílio tornou a primeira mulher a acender a pira olímpica. Ela era a principal velocista mexicana da época, que chegou a participar dos Jogos, mas foi eliminada nas eliminatórias.

Em 1964, Yoshinori Sakai foi escolhido para simbolizar a reconstrução e da paz pós-guerra do Japão. Aos 19 anos, Sakai nascera em 6 de agosto de 1945, exatamente no dia do bombardeio atômico em Hiroshima, na Segunda Guerra Mundial. Ele fazia parte da equipe de atletismo da Universidade de Waseda, mas nunca teve um desempenho olímpico. Se formou em jornalismo e trabalhou com esportes na Fuji Television.

 

Os italianos, nos Jogos de Roma, em 1960, preferiram dar a oportunidade a Giancarlo Peris, um anônimo corredor, que havia conquistado uma vitória durante os Jogos Escolares na capital italiana.

Ron Clark, de 19 anos, foi o atleta escolhido pela Austrália nos Jogos de Melbourne, em 1956. Oito anos depois, o atleta dos 10 mil metros ganhou a medalha de bronze em Tóquio. Foi prefeito de Gold Coast.

Em 1952, os finlandeses homenagearam um dos seus principais atletas, ao colocar Hannes Kolehmainem, representante do grupo de "finlandeses voadores", junto com seu pupilo Paavo Nurmi para acender a pira.

O inglês John Mark teve a oportunidade nos Jogos de 1948, mas não teve sucesso em sua carreira esportiva. Assim como o alemão Fritz Schilgen, que apesar dos três títulos nacionais nos 1.500 metros, jamais disputou os Jogos Olímpicos.

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Conheça as histórias de superação dos condutores da tocha

'Heróis' do esporte brasileiro serão homenageados no revezamento

O Estado de S. Paulo

26 de maio de 2016 | 07h00

Cada um tem sua história. Todos se superaram de alguma forma para romper com suas limitações e atingir seus objetivos. Eles vão ter a honra de carregar a tocha e entrar para a história dos Jogos do Rio, por intermédio de uma campanha feita pelo Bradesco.

Confira a história de verdadeiros heróis do esporte brasileiro. Eles são a prova de que com boa vontade e apoio é possível formar vencedores não só nas quadras, piscinas e pistas, mas principalmente na sociedade brasileira.

28.05 – Aracaju (SE)

Maria Gilda dos Santos

Um exemplo de superação. Campeã de 5, 10 e 21 quilômetros como cadeirante, tem vários títulos em provas nos campeonatos em São Paulo. Estudante do sétimo período de Educação Física, descobriu o badminton, esporte a que se adaptou muito bem e em pouco tempo foi campeã do campeonato nacional de parabadminton na dupla mista e vice-campeã no individual. Classificou-se para ir a Londres representar o Brasil nos Jogos Mundiais de parabadminton. 

29.05 - Maceió (AL)

Darlan Ferreira de Oliveira

Ex-jogador de basquete, Darlan atuou nas quadras por 13 anos, defendendo diversas equipes, seleções estaduais (alagoana e paulista) e a seleção brasileira juvenil. Ele é o maior ídolo e inspiração para os jovens da cidade.

30.05 - Guaranhus (PE)

Carlos Tevano Simplício do Amaral

Tem trajetória no judô como atleta e técnico, conquistando títulos nacionais e internacionais. Hoje, aos 49 anos, possui uma vitalidade admirável, competindo na categoria sênior. Ele também faz trabalhos sociais, buscando resgatar vidas dos vícios.

31.05 - Recife (PE)

Roseane Ferreira dos Santos

Natural de Recife, Roseane Ferreira da Silva, conhecida como Rosinha, viu sua vida mudar em 1990 ao sofrer um acidente de carro que resultou na amputação da sua perna esquerda. Desde então, Rosinha passou a trabalhar como empregada doméstica.

Em 1997, Francisco Raimundo Matias, seu ex-treinador, estava passando de carro e a viu na rua. Perguntou se ela gostaria de ser atleta, convidando-a se juntar ao movimento paralímpico. 

Em 2000, nas Paralimpíadas de Sydney, Rosinha conquistou a medalha de ouro e quebrou o recorde mundial no arremesso de peso e também no lançamento de disco.

Outro momento marcante na vida da Rosinha aconteceu em 2014, quando foi diagnosticada com câncer na garganta. Ela passou por uma cirurgia seguida de quimioterapia, venceu a doença e voltou a competir em 2015. Durante esses anos, continuou batendo os recordes brasileiros e mundiais em várias competições.

09.06. – Granja (CE)

Márcio Henrique Barbosa Araújo

Márcio Henrique foi campeão do mundo de vôlei de praia em 2005, em Berlim, e tetra campeão brasileiro. Tem 103 títulos conquistados, com cerca de 1600 vitórias. Participou de duas Olimpíadas e ganhou uma medalha de prata em Pequim-2008. É cearense e atleta atuante da seleção brasileira de vôlei de praia, sendo o terceiro maior vitorioso da história do Brasil na modalidade.

21.06 - Rio Branco (AC)

Dario Marcondes do Amaral

Esgrimista há 40 anos, Dario foi atleta olímpico (Helsinque 1952 e México 1968), campeão pan-americano, sul-americano e brasileiro. Também foi técnico da seleção brasileira de esgrima. Hoje reside em Rio Branco, tem 83 anos, frequenta academia, dirige, é perfeitamente lúcido e mantém a esgrima como grande paixão de sua vida.

É um exemplo de dedicação ao esporte, pois o praticou em uma época em que ninguém sequer sabia o que era esgrima. 

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