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Rio terá megaoperação de segurança durante os Jogos Olímpicos

Cidade será 'organizada' por 85 mil profissionais para o combate ao terrorismo e à violência doméstica

Clarissa Thomé, RIO

30 de junho de 2016 | 05h53

A  mais complexa operação de segurança da história dos Jogos Olímpicos tem início sob o fantasma de ataques terroristas, especialmente os dos chamados lobos solitários, e em meio à mais grave crise financeira da história do Estado do Rio de Janeiro. Serão empregados 85 mil agentes – 47 mil das forças de segurança pública, entre guardas municipais, policiais federais, civis e militares e da Força Nacional de Segurança; 38 mil do Exército, Marinha e Aeronáutica.

Um dos principais reflexos da crise na segurança pública é a volta de ações violentas dos criminosos, estimulada pela precariedade do policiamento. No último dia 19, ao menos 25 bandidos resgataram do Hospital Municipal Souza Aguiar, referência para emergências durante os Jogos, o traficante Nicolas Labre, o Fat Family. Um homem que buscava atendimento morreu baleado. Houve dois feridos.

A pedido do governo fluminense, as Forças Armadas cuidarão da segurança do Aeroporto Internacional do Rio (na Ilha do Governador, zona norte) e das vias expressas, como Linha Amarela, Linha Vermelha e Avenida Brasil, que cortam vários bairros. Cercadas por favelas, elas são pontos sensíveis da segurança na cidade. Em 7 de maio, véspera do Dia das Mães, Ana Beatriz Frade, de 17 anos, foi morta por assaltantes  quando passava de carro pela Linha Amarela. Não foi solicitado que as Forças Armadas ocupem as favelas. Além da violência urbana, a grande preocupação está nos ataques isolados, como o ocorrido na boate Pulse, em Orlando (EUA), em 12 de junho, com 49 mortos.

“Sem dúvida nenhuma, a ação dos lobos solitários preocupa mais do que ações coordenadas por grupos terroristas. Ela é muito mais difícil de ser detectada. Esse é o grande risco hoje, não só aqui, mas em qualquer lugar do mundo. Ações como essa são difíceis de serem previstas”, reconhece o subsecretário de Estado de Comando e Controle da Secretaria de Segurança, Edval Novaes. Nos últimos anos, “mais de uma centena” de policiais civis, militares e federais e agentes de inteligência foram enviados para eventos esportivos internacionais, como a Maratona de Boston (EUA), ou o Tour de France (FRA), para aprenderem técnicas antiterror.

FRASE EM DESTAQUE

"Pedi ajuda às Forças Armadas para desafogar a Polícia Militar do Rio. A Olimpíada, eu vejo como uma bolha. A preocupação é com o antes da Olimpíada e o depois”, diz José Mariano Beltrame, secretário de Segurança do Estado.

NÚMEROS

1,8 mil câmeras estarão a bordo apenas de carros de polícia durante a realização do evento esportivo.

150 agentes de segurança vão proteger o hotel dos 400 dirigentes do Comitê Olímpico Internacional (COI) e seus familiares.

4 balões levarão câmeras de alta definição, a 230 metros de altitude, para cobrir cerca de 13 quilômetros no entorno das instalações olímpicas.

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