A primeira semana

O Rio de Janeiro passou pela primeira semana de Jogos Olímpicos dentro da média: em alguns aspectos foi bem, em outros está dando dor de cabeça. No campo da organização do evento e na condição da cidade para receber os visitantes esta avaliação é bem razoável. O tempo tem sido um desafio para as modalidades ao ar livre, como remo e tênis, atrasando provas, fazendo com que atletas disputassem repetidas rodadas no mesmo dia e comprometendo o desempenho. Mas ninguém manda na natureza e não dá para colocar na conta da organização.

ANA MOSER, O Estado de S.Paulo

13 Agosto 2016 | 03h00

Mas o que dizer das piscinas verdes do Maria Lenk, uma barbeiragem com o tratamento da água, uma imagem nunca antes vista numa prova deste nível. Ou as filas para entrar e comprar lanches no Parque Olímpico. Confusão em linhas de transporte para a imprensa. E outros problemas não tão visíveis, mas que têm sido apontados por jornalistas como muito preocupantes e rendido reuniões tensas entre Comitê Organizador e COI. Problemas estes que em parte são pelas limitações de recursos no orçamento olímpico, outros pela inexperiência com determinadas estruturas e serviços.

Apesar das notas negativas, o trânsito só é problema em pontos e horários específicos, os turistas estão felizes e dizem que vão voltar. Os serviços nos hotéis, restaurantes e nos transportes melhorou muito. E aqui fala uma “paulistana” – moro em São Paulo há mais tempo do que vivi na minha Blumenau – que vem ao Rio regularmente desde a década de 80 e faz projetos na cidade há pelo menos 15 anos. Sempre senti diferença na qualidade dos serviços e disponibilidade de mão de obra. Estou vendo uma diferença muito grande, que é resultado do investimento em treinamento e preparação do Rio para alcançar um padrão mais elevado para o turismo. Não há dúvida de que o maior legado da Olimpíada é para o Rio de Janeiro, que será outra cidade após os Jogos Olímpicos.

No campo esportivo, o Brasil está dentro do esperado em termos de medalhas, um pouco a menos por conta de algumas medalhas no judô, natação e a dupla masculina de tênis. Mas nada que possa ser apontado como decepção, e sim resultados que estão dentro da normalidade competitiva. Nossos atletas estão, quase na totalidade, mostrando raça e qualidade, interagindo com a torcida da maneira que todos projetavam. O grande destaque, a meu ver, e que talvez não entre na conta perceptível dos resultados da Olimpíada para o Brasil, tem sido a ascensão de determinadas modalidades que estão conquistando colocações inéditas. O quarto lugar na marcha atlética masculina, os dois sextos lugares na canoagem masculina e no ciclismo de estrada feminino, as vitórias do polo aquático e do handebol masculinos, e a medalha de prata no tiro masculino.

Claro que ainda é cedo para fechar uma avaliação do nosso desempenho, mas estamos no caminho. Nesta semana nosso ponto alto foi o ouro da Rafaela Silva no judô. Depois da frustração pela desclassificação em Londres, o foco da Rafaela para esta disputa para mim é referência de agora em diante. Em cada atleta eu procuro o “olhar da Rafaela”. Concentração, confiança, certeza do que quer, prontidão para o embate. Tudo isso refletido naquele olhar. Estou vendo este mesmo olhar no voleibol feminino, um grupo que abriu mão do celular e das distrações, entra em quadra com concentração e acaba o jogo dando uma volta na quadra cumprimentando a torcida e fortalecendo a conexão.

No masculino não consigo ainda enxergar esse foco, está faltando “olhar de Rafaela” para o time do Bernardinho. Não é falta de vontade, mas o que vejo às vezes é dúvida que gera os altos e baixos que tivemos em praticamente todos os jogos. Algo que a seleção de vôlei pode construir a cada jogo, até porque no torneio masculino tudo pode acontecer. Wallace e Lucarelli são os grandes pilares do time e também os mais confiantes para liderar o Brasil.

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