Joshua Paul/AP
Joshua Paul/AP

‘A Rússia não é a única com problemas’

Executivo afirma que há outros países que têm problemas com doping e defende medidas severas durante os Jogos

Entrevista com

CRAIG REEDIE, PRESIDENTE DA WADA

JAMIL CHADE, ENVIADO ESPECIAL A PARIS, O ESTADO DE S.PAULO

23 de julho de 2016 | 05h00

No centro do maior escândalo do doping, o presidente da Agência Mundial Antidoping (Wada), Craig Reedie, é um homem que não disfarça sua indignação diante das descobertas nem sua preocupação. Em entrevista ao Estado às vésperas de uma das decisões mais importantes no esporte, o escocês insiste que as revelações sobre a forma pela qual o governo russo orquestrou um programa de doping são “inaceitáveis” e o que está em jogo é a credibilidade das competições. Mas ele também alerta: o problema não se limita aos russos.

O senhor voltou a credenciar o laboratório no Rio. Tem confiança de que ele estará de acordo com os padrões para realizar o grande número de testes?

Após a última decisão e das medidas tomadas, acho que o laboratório está em boas condições para desempenhar sua função. Não será problema.

Por que ele foi suspenso?

Foi identificado que o laboratório tomou algumas decisões sobre amostras que não estavam de acordo com os padrões internacionais e isso não poderia continuar. Esse é um dos critérios que gera a possibilidade de que um centro perca seu credenciamento. Mandamos uma auditoria e que, rapidamente, produziram um informe. Nessa auditoria, foi avaliado exatamente o que estava ocorrendo e tomaram medidas para corrigir. A decisão final coube a mim e eu aceitei o uso do laboratório no Rio.

Os cientistas e funcionários brasileiros terão ajuda externa?

Sim. Espero que seja o caso. Não é a WADA que faz os controles. Isso é uma responsabilidade do COI e dos organizadores locais. Mas o que sabemos é que teremos assistência de estrangeiros para auxiliar o laboratório a fazer o grande volume de testes durante os Jogos.

O senhor tem tomado decisões duras no combate ao doping. Por que isso foi feito agora?

Encontramos evidências que em quatro laboratórios os testes anuais realizados mostraram problemas. No caso do Rio, as ações tiveram de ser rápidas por conta do prazo dos Jogos. Mas essa postura dura é justamente para dar a confiança aos atletas de que eles podem competir de forma limpa e justa. Isso é o que mais importa: a credibilidade. Os atletas têm de ter garantias de que todos estão no mesmo patamar. Com as notícias nos últimos dias sobre a Rússia, isso ficou ainda mais importante. 

Mas a Rússia é o único que tem esse problema?

Certamente não. Por isso precisamos continuar a lutar. Esse é um combate sem fim. Sim, outros países vivem problemas também. O que não podemos aceitar é o envolvimento do governo em uma estrutura como a que foi revelada. Isso é inaceitável. Na maioria dos países, a diferença é que esses casos tentam ser resolvidos. 

O que está em jogo agora?

A capacidade de garantir que o esporte seja uma competição justa para todos. A credibilidade dos resultados. Temos de ter uma situação em que atletas possam competir de forma limpa e num mesmo patamar. 

O senhor recomendou que o COI rejeite atletas russos no Brasil. Por que?

Porque temos de dar uma responsa de peso a essa situação. A WADA não exclui ou coloca alguém num evento. Isso cabe ao COI. Mas nós fomos claros sobre qual é nossa recomendação e nossa análise. 

Como explicaria essa análise?

Repito: o que vimos nos informes é simplesmente inaceitável. Temos de responder.

O Tribunal Arbitral dos Esportes confirmou a exclusão do atletismo russo. Como avaliou?

Bem. Foi uma decisão importante. Vamos ver em qual direção o COI irá agora.

Mas a decisão do tribunal pode dar o tom de qual será a decisão do COI de amanhã?

Vamos aguardar. Mas foram no caminho que acreditamos ser o mais correto. 

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