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A tecnologia no preparo do paralímpico mais rápido do mundo

Alan Fonteles fala sobre importância do equipamento adequado e revela vontade de disputar a Olimpíada

Igor Ferraz, O Estado de S. Paulo

28 de abril de 2016 | 05h00

Uma das maiores potências paralímpicas do planeta, o Brasil tem, desde 2012, um novo ídolo: há quatro anos, o então desconhecido Alan Fonteles surpreendia o mundo do esporte ao bater o ícone Oscar Pistorius nos 200m da Paralimpíada de Londres. De lá para cá, Alan se consagrou como o atleta paralímpico mais rápido da atualidade. Nos Jogos do Rio, ele buscará a medalha de ouro em quatro provas diferentes e, como não poderia deixar de ser, também conta com o apoio da tecnologia para continuar quebrando marcas e se aprimorando cada vez mais.

Alan perdeu as duas pernas abaixo do joelho ainda bebê, quando tinha 21 dias de vida, por uma falha congênita na formação de seus membros inferiores. Porém, em nenhum momento a deficiência atrapalhou a força de vontade e determinação do atleta, que, aos oito anos, já demonstrava interesse justamente pela corrida. Ele iniciou sua vida no atletismo aos 10 anos e, aos 13, já se sagrava campeão brasileiro. Apesar do sucesso de hoje, Alan não esquece das dificuldades que enfrentou para realizar o sonho de ser atleta.

“Todos os atletas usam próteses de fibra de carbono, e eu só fui conseguir este modelo no ano de 2008, ou seja, seis anos após meu início no atletismo. É fundamental. Sem elas, não consigo correr”, conta. Ele ainda lembra do obstáculo que era correr com seus equipamentos antigos: “Antes, eu tinha uma prótese feita de madeira. Bem rústica mesmo, um modelo bem simples. Prejudicava bastante, era uma prótese dura, que não tinha retorno, não tinha absorção de energia… Era muito complicado. Também machucava bastante, sentia muita dor na perna e isso ainda limitava meus treinamentos. Treinava dois dias e tinha de ficar fora no terceiro. Além de tudo, isso atrapalhava minha semana de treinos.”

As próteses adequadas são indispensáveis para fazer um paratleta correr em igualdade com os demais, porém, Alan garante que o treinamento e o rendimento individual são o fator-chave para que o esportista tenha sucesso: “O diferencial sairá do treino e da capacidade de cada um. Não é só colocar a prótese e sair correndo achando que terá os melhores resultados”

Atualmente, no entanto, Alan já conta com todo suporte necessário para um atleta de alto nível. “Hoje, eu treino no NAR (Núcleo de Alto Rendimento do Esporte), em São Paulo. Lá, temos todos os laboratórios à disposição. Testes de salto, de supra-velocidade, ultra-velocidade... Todos os testes são captados para melhorar nosso desempenho. Haverá toda a análise, a conversa com o treinador, os apontamentos de onde deve ser trabalhado para que o atleta possa melhorar. É o uso da tecnologia nos treinos nos ajudando a melhorar dentro das pistas.”

Alan ainda conta que treina 8 horas por dia, de segunda a sábado, em períodos de 4 horas, entre a prática na pista e o trabalho de academia. Principal membro brasileiro do Team Ossur, ele também ajuda nos testes e nos ajustes das próteses desenvolvidas pela empresa: “A Ossur tem uma representante que fica em Porto Alegre, onde a prótese chega para poder estar testando encaixes e outras coisas. Eu participo muito. Eles me deixam ficar lá dentro, olhando tudo, observando como funciona enquanto eles mexem e fabricam. Sou eu quem dou este feedback para eles e digo se é boa, se é ruim, se aperta, se é macia, se tem bom retorno, se é confortável… É um trabalho em conjunto”.

Em 2007, o sul-africano Oscar Pistorius quebrou os antigos recordes mundiais paralímpicos nos 100m e 200m, marcando 10s91 e 21s58, respectivamente. Hoje, estes dois recordes são de Alan Fonteles, que detém impressionantes 10s77 e 20s66, além de ter derrotado o próprio Pistorius nos Jogos Paralímpicos de Londres. Levando isso em conta, existe muita expectativa para que Alan seja o próximo corredor amputado a disputar uma Olimpíada. O brasileiro garante foco total na Paralimpíada do Rio, mas também admite a vontade de competir entre os atletas que não possuem limitações.

“Penso em Olimpíada, sim. Porém, meu foco total está nesta próxima Paralimpíada, já que será no Brasil. Quem sabe daqui a quatro anos eu possa estar participando e fazendo história no esporte olímpico também”, afirma o atleta paralímpico mais rápido do mundo, que finaliza traçando suas próprias expectativas para os Jogos do Rio.

“A expectativa é a melhor possível: tentar conseguir o maior número de medalhas de ouro, defender meu título dos 200m dentro de casa… Enfim, o objetivo é fazer história, dar alegria para o povo e correr o mais rápido possível. Ainda tenho algumas Paralimpíadas para disputar, portanto, quero continuar construindo a minha história.” No Rio, Alan Fonteles está confirmado para as disputas de 100m, 200m, 400m e do revezamento 4x100m.

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