Fábio Motta/Estadão
Fábio Motta/Estadão

A um ano da Olimpíada do Rio, passageiro sofre com lotação e acidentes

BRTs e expansão do metrô apresentam falhas em horários de pico

Clarissa Thomé e Everton Oliveira, O Estado de S. Paulo

05 de agosto de 2015 | 05h00

Os corredores expressos de ônibus, os chamados BRTs, e a expansão da linha 4 do metrô são as grandes promessas de legado da Olimpíada para a cidade. Mas, a um ano dos Jogos, os passageiros que utilizam as vias Transcarioca e Transoeste, ambas já em operação, sofrem com veículos lotados, trânsito nas transversais dos corredores e histórico de acidentes. Só neste ano foram registrados 65 acidentes por avanço de sinal e conversão irregular de veículos que invadem a pista exclusiva. Ano passado, foram 61. 

A expansão do metrô para a Barra da Tijuca está dentro do cronograma. No entanto, a estação Gávea, uma das previstas inicialmente, foi retirada do projeto. Só será concluída depois da Olimpíada. 

“Eu tinha expectativa de um legado muito maior”, diz o engenheiro de transportes Fernando MacDowell, professor da PUC-Rio. “O BRT não deixa de ser um ponto positivo. No meio da tarde, é um barato, as pessoas todas sentadas, vem um ônibus atrás do outro. Mas na hora do rush, esquece.”

O espectador dos Jogos deve escapar desse tipo de problema porque a prefeitura vai decretar feriados e férias escolares e negociar folgas coletivas com empresas. “Não se resolve transporte decretando feriado, que é um prejuízo enorme para o comércio. Tem de resolver com engenharia de tráfego, com sinalização inteligente”, defende. 

O secretário municipal de Transportes do Rio, Leonardo Picciani, diz que os ajustes são naturais. “O Rio vive situação interessante porque terá um legado que a população já vem desfrutando. A grande mudança na qualidade de vida trouxe mais passageiros. O projeto do BRT está em ampliação. Com a Transolímpica será possível remanejar ônibus nos horários de mais movimento do Rio.”

Para o economista Vitor Mihessen, da ONG Casa Fluminense, as obras de mobilidade não contemplam as regiões mais adensadas do Rio. “Perdeu-se a chance de redistribuir as oportunidades”, critica. “Barra e Jacarepaguá são as regiões de maior crescimento populacional e atividade econômica. O metrô não beneficia apenas o morador da Barra, mas todas as pessoas que circulam ali. A linha 4 estará interligada aos BRTs, e também a linha 1 e 2 com trens suburbanos.” 

O metrô concentra o maior investimento (R$ 8,9 bilhões) e é tocado por consórcio que inclui empreiteiras investigadas na Operação Lava Jato, como Queiroz Galvão, Odebrecht e Carioca Engenharia. "Não há riscos para a execução das obras. A Lava Jato já vai para 500 dias de operação, e o cronograma está em dia. Os recursos são assegurados pelo BNDES”, afirmou o secretário de Estado de Transportes, Carlos Osório. 

Além do BRT e do metrô, as obras de mobilidade incluem a interligação por Veículo Leve sobre Trilhos, entre Rodoviária Novo Rio, Aeroporto Santos Dumont, Central do Brasil e estação das barcas, na região do Centro. É a mais atrasada: apenas um terço está concluído a um ano da Olimpíada. O projeto inicial falava de seis linhas e 42 estações. A prefeitura agora diz que serão “dois eixos principais” e dez paradas a menos.

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