Abaixo da meta: Nadadores brasileiros pioram seus tempos

Apesar de investimento e estrutura, modalidade não alcança crescimento esperado na Olimpíada

Ciro Campos, enviado especial ao Rio, O Estado de S.Paulo

10 de agosto de 2016 | 05h00

A natação brasileira ainda não subiu ao pódio nos Jogos Olímpicos. Não que se esperasse uma chuva de medalhas, até porque os atletas nacionais mais bem ranqueados mundialmente são poucos, mas o que chama a atenção é que os nadadores do País estão marcando tempos abaixo da expectativa justamente na competição que é realizada em casa.

“Alguns atletas não repetiram seus tempos, o que é uma coisa normal no esporte. Acho que poderemos fazer um balanço mesmo no final, pois estou vendo coisas positivas. O público abraçou a natação brasileira e esses atletas, acho que esse é um legado interessante que deixamos. Há uma valorização até de alcançar uma semifinal olímpica”, afirmou Ricardo de Moura, superintendente executivo da Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos (CBDA).

As melhores colocações até o momento foram os quintos lugares de João Gomes Junior, nos 100m peito, e do revezamento 4 x 100 m livre, com Marcelo Chierighini, Nicolas Nilo, Gabriel Santos e João de Lucca. O outro finalista entre os 33 nadadores nacionais que estão no Rio foi Felipe França, que ficou em sétimo nos 100 m peito.

João Gomes, por exemplo, fez durante o Troféu Maria Lenk, em abril, o segundo melhor tempo do mundo na prova, com 59s06. Nos Jogos do Rio, marcou 59s31. “Estou muito feliz com o meu resultado, mas não saio satisfeito com o meu tempo”, reconheceu.

Moura prefere enaltecer a campanha do nadador. “Nenhum brasileiro se classificava para a final do nado peito desde os Jogos de 1968. E nós colocamos dois atletas”, comentou o dirigente, ciente de que EUA, Austrália, França e Rússia tem ótimos velocistas na prova.

A ausência de resultados expressivos, no entanto, está incomodando alguns atletas da delegação, que entendem que poderiam ter ido um pouco mais longe. Leonardo de Deus, que não conseguiu a vaga para a final nos 200m borboleta, assumiu sua parcela de responsabilidade, mas também criticou. “A natação brasileira está bem ruim, bem aquém do que mostramos no Pan de Toronto, no Mundial de Kazan e no Maria Lenk, quando fizemos bons tempos.”

Para o Rio, a CBDA levou a maior delegação de nadadores brasileiros da história, com 33 atletas, e procurou fazer uma preparação de acordo com a realidade que os atletas iriam encontrar nos Jogos. Teve até clínica de sono, para ajudar os esportistas a descansar o corpo por causa do pouco tempo de recuperação entre uma prova e outra.

Para Ricardo de Moura, as afirmações de Leonardo de Deus vieram em um momento de fragilidade do atleta, logo depois de ele não conseguir avançar na competição. “Ele não foi feliz. Acho que ele nem queria dizer aquilo naquele momento. Nós ainda não concluímos a avaliação e temos ainda provas para disputar”, lembrou.

A expectativa maior é em cima de dois atletas, dois dos mais experientes da delegação. Claro que uma ótima atuação de outro nadador não está descartada, mas Thiago Pereira e Bruno Fratus levam as esperanças de medalhas em suas braçadas.

Thiago, medalhista de prata nos Jogos de Londres nos 400m medley, vai competir hoje nos 200m medley. Ele está apostando todas as fichas nessa prova, mas sabe que terá adversários de peso, como os americanos Michael Phelps e Ryan Lochte. Inclusive, no balizamento das eliminatórias, ele nadará na raia 3, ao lado de Phelps, que estará na 4.

Já Fratus, principal velocista do Brasil, competirá nos 50m livre, com disputas a partir de amanhã. Ele terá de enfrentar o francês Florent Manaudou, o americano Nathan Adrian, o australiano Cameron McEvoy e o russo Vladimir Morozov. Outro brasileiro na prova é Italo Duarte, que ficou à frente de Cesar Cielo na seletiva nacional.

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