Lavandeira Jr./EFE
Lavandeira Jr./EFE

‘Acho que ainda posso melhorar minha marca no salto com vara’

Brasileira, que acaba de ser vice-campeã mundial, acredita que pode superar os 4,85 m nos Jogos Olímpicos do Rio

Entrevista com

Fabiana Murer

PAULO FAVERO, O Estado de S. Paulo

28 Agosto 2015 | 06h00

A medalha de prata no salto com vara no Mundial de Atletismo é um estímulo a mais para Fabiana Murer tentar voar alto no Rio e colocar o pódio olímpico em sua galeria de conquistas. A atleta de 34 anos vai disputar mais duas competições, em Zurique e Zagreb, antes das férias, para em outubro voltar com força total aos treinamentos. O foco é manter o alto nível para brigar pela medalha em casa.

Qual motivação a prata no Mundial dá para os Jogos do Rio?

Apesar de faltar menos de um ano, ainda tem muita coisa para acontecer. Tem mais duas competições nessa temporada e aí sim começar a preparação para o ano que vem. A gente não vai mudar nada do que tenho feito, vamos manter a mesma forma de treinamento, fazer a temporada em pista coberta, pois isso tudo vem dando certo. Também tenho de me manter saudável, que é o mais importante para cumprir os treinamentos e chegar em boa forma na Olimpíada. Também será uma prova muito dura, todas essas atletas vão estar lá e tem gente nova crescendo, como duas norte-americanas muito boas e uma russa, que foi mal na final, mas contava com ela para chegar. Umas seis ou sete atletas estarão disputando a medalha no Rio e quem estiver melhor no dia vai levar. Se eu fizer uma boa preparação posso chegar confiante, como cheguei aqui no Mundial.

Você perdeu para a Yarisley Siva na final. O que dá para dizer dessa atleta cubana?

Ela competiu comigo no Pan em 2007, no Rio, e ela estava começando, ainda não saltava muito bem, mas a partir de 2011 ela cresceu e passou a ter resultados melhores. Hoje ela está entre as melhores do mundo, está sempre disputando a medalha, desde a Olimpíada de Londres. No Mundial de Moscou também ganhou medalha, foi campeã mundial indoor. É uma excelente atleta, muito veloz, muito forte, e tem o ritmo para fazer saltos altos.

Sua melhor marca é o 4,85 m. Você acha ainda possível superar esse recorde?

Ainda acho que é possível, competindo em Mundial é sempre difícil porque você precisa ir de cinco em cinco centímetros, aí precisa fazer mais saltos, o que torna a competição mais nervosa. Mas eu vejo que tenho totais condições de fazer 4,90 m, tanto que o salto que eu passei os 4,85 m foi com folga, eu vi o vídeo depois da prova e foi muito alto. Acho que posso melhorar essa minha marca.

Como você lida com a pressão para conquistar um pódio no Rio?

A medalha olímpica é o que falta na minha carreira, é lógico que eu quero ganhar. Sei que será difícil, mas vou fazer minha preparação para dar tudo certo e chegar confiante na Olimpíada. Eu estou bem tranquila em relação a isso, porque sei que só depende de mim. Me vejo mais consciente do que nos outros anos, talvez por estar no final da minha carreira, e isso me deixa mais relaxada. Consigo aproveitar melhor os treinos e a experiência de todos esses anos me ajuda a lidar melhor com isso tudo.

Como você imagina que serão os Jogos do Rio?

Para os brasileiros terá um gostinho especial por competir em casa. Lembro que foi muito legal no Pan de 2007 ter a torcida a favor e acredito que na Olimpíada isso não será diferente. Aqui na China, os torcedores locais torciam muito. Será ótimo competir em casa e estou bem motivada.

Para finalizar, como foi seu pódio em Pequim?

Foi bem emocionante, estou bem contente com a medalha que conquistei. É sempre muito difícil, a prova foi muito dura e eu sabia que teria de estar atenta e concentrada até o final. Foi bem tenso, e ganhar uma medalha no meio de grandes atletas é muito bom.

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