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Ana Marcela rejeita 'jogo de equipe' com Poliana para 2016

Estrelas da maratona aquática agora são companheiras de clube

DEMÉTRIO VECCHIOLI, Estadão Conteúdo

12 de novembro de 2015 | 17h49

Pela primeira vez em suas carreiras, as duas estrelas das maratonas aquáticas do País estão no mesmo clube. Nesta quinta-feira, Ana Marcela Cunha foi oficialmente apresentada como nova integrante da equipe da Unisanta, de Santos, onde vestirá a mesma toca que Poliana Okimoto. Mas engana-se quem pensa que as duas brasileiras, agora companheiras, podem se unir para traçar uma estratégia em comum para os Jogos Olímpicos do Rio, evento para qual ambas estão classificadas. Nas águas de Copacabana será cada uma por si.

"Você até pode chegar antes da prova e combinar um monte de coisa, mas na água é diferente. Você não sabe qual é a tática de prova de cada uma, o que cada uma pensou antes da prova. É muito complicado. Cada um tem sua prova. Se fosse uma prova de 25km é bem mais fácil, mas nos 10km (distância olímpica) isso não acontece", explica Ana Marcela.

Estar no mesmo clube não significa nem mesmo que Ana Marcela e Poliana Okimoto vão trabalhar juntas. Campeã mundial em 2013, Poliana é treinada pelo marido, Ricardo Cintra, e faz seus treinos diários em um clube de São Paulo. Ana Marcela vai se mudar de mala e cuia para Santos, onde será comandada por Márcio Latuf.

A nadadora não explica com detalhes por que deixou o Sesi, de São Paulo. "A gente não chegou a um consenso com o Sesi, nem com o Sesi com a gente, por isso a melhor escolha foi rescindir o contrato", disse inicialmente Ana Marcela, agenciada pelos pais. Alegando cláusula de confidencialidade no contrato que tinha com o Sesi, ela pediu à reportagem para não se prolongar no tema. "A gente chegou em consenso, não foi algo que um lado ou outro decidiu. Por isso não houve uma quebra de contrato."

Independente dos motivos, o fato é que Ana Marcela deixa para trás o técnico Fernando Possenti, que tem contrato com o Sesi. Foi sob o comando dele que a nadadora atingiu a melhor forma da carreira, alcançando a marca de 18 pódios seguidos em eventos internacionais e passando a ganhar de Poliana Okimoto com alguma regularidade - em 2013, haviam sido seis derrotas em sete provas.

Ana Marcela, entretanto, minimiza o fim da parceria. "Independente do clube ou do técnico, eu sei da minha parte. Eu tenho que treinar, ninguém vai fazer isso por mim. Às vezes, se eu tivesse continuado lá (no Sesi), não seria tão bom. A gente não ficaria num clima tão bom. O melhor foi a nossa escolha de sair do Sesi, não de largar o Fernando."

O novo técnico da baiana é um velho conhecido dela. Marcio Latuf treinou Ana Marcela por seis anos na Unisanta, até o final de 2012, quando a nadadora se transferiu para o Sesi. Desde então, Latuf se consagrou como um especialista em trabalhar com velocistas. Tanto Matheus Santana quando Felipe Ribeiro, próxima revelação dos 100m livre, foram lapidados por ele.

Para Ana Marcela, Latuf não desaprendeu a trabalhar com fundistas. "A primeira vez que fui campeã mundial nos 25km foi com ele. Ele entende bastante de maratona. Esses últimos três anos ele vem treinando mais velocista, mas ele tem o (Victor) Colonese, que venceu o Brasileiro. Ele já me conhece, não é a primeira vez que vou estar treinando com ele", opina.

Como não pode atuar por dois clubes na mesma temporada, Ana Marcela não vai participar do Open, em dezembro, em Palhoça (SC), primeira seletiva da natação brasileira para o Rio-2016. Sem compromissos oficiais até o fim do ano, ela concedeu coletiva pela manhã em Santos e à tarde já voltou ao Rio, onde está treinando com a seleção italiana.

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