ESTADAO CONTEUDO
ESTADAO CONTEUDO

Alegria é a marca do encerramento dos Jogos Paralímpicos do Rio-2016

Protesto de músico contra o presidente Michel Temer também chama a atenção

Marcio Dolzan e Paulo Favero, enviado especial ao Rio, O Estado de S. Paulo

18 de setembro de 2016 | 23h05

Os Jogos do Rio vão deixar saudade. Após a Olimpíada e a Paralimpíada, que teve sua festa de encerramento neste domingo, a competição finaliza um ciclo de mega eventos esportivos que teve ainda a Copa do Mundo e das Confederações. Com muita alegria, o gramado do Maracanã se transformou em um palco para os atletas com deficiência.

Do ritmo do mestre Batman e os Batuqueiros do Silêncio, formado por deficientes auditivos, passando por Nação Zumbi, Armandinho e Andreas Kisser, até um grande show final, com Nego do Borel, Gaby Amarantos e Ivete Sangalo, entre outros, tendo como momento importante a passagem da bandeira do Rio para Tóquio, onde serão realizados os Jogos de 2020.

Tudo isso apresentado por um mestre de cerimônias diferente: o Google Tradutor, cujo texto e voz eram exibidos no telão para todos – os deficientes auditivos puderam acompanhar o que se passava.

O público foi menor ao das três cerimônias anteriores, e dessa vez o gramado do Maracanã serviu principalmente como plateia para os atletas paralímpicos. Nos espetáculos anteriores, ele fora utilizado para projeções e performance dos artistas. A presença de autoridades também foi menos impactante. Estavam presentes Eduardo Paes, prefeito do Rio, Luiz Fernando Pezão, governador licenciado, Rodrigo Maia, presidente da Câmara dos Deputados, Raul Jungmann, ministro da Defesa, Leonardo Picciani, ministro do Esporte, entre outros.

Na cerimônia de encerramento, um momento de grande emoção foi quando se fez silêncio pela morte do ciclista iraniano Bahman Golbarnezhad no sábado. Já a maior polêmica foi quando o guitarrista do Nação Zumbi, Lúcio Maia, mostrou um cartaz que estava colado em seu instrumento com a inscrição "fora Temer". A imagem passou ao vivo na transmissão.

O show também quis mostrar histórias de transformação e passar uma mensagem de um mundo feito para todos como legado dessa Paralimpíada. No evento, o jogador Ricardinho, campeão paralímpico no futebol de 5, foi o encarregado de carregar a bandeira do Brasil. O público também aplaudiu de pé quando enalteceram o desempenho de todos os atletas e vibrou com imagens mostradas no telão com os melhores momentos da competição.

Os Jogos do Rio encerram com uma avaliação positiva e tom ufanista – ao menos entre os organizadores. Presidente do Comitê Rio-2016, Carlos Arthur Nuzman enalteceu a Olimpíada e a Paralimpíada. "Podemos dizer de cabeça erguida que cumprimos a nossa missão", declarou. "Há um conjunto de fatores que nos levam a dizer isso. Vamos deixar um legado imensurável."

Nuzman afirmou que "certamente foram os Jogos mais econômicos da história" e foi além. "Nos 120 anos (de Jogos Olímpicos da era moderna) tivemos marcos importantes, de cidades que puderam mudar a direção do que poderia ser feito. O Rio aproveitou essa oportunidade e isso nos orgulha."

Com o fim dos Jogos do Rio, os olhos do desporto mundial agora se voltam para Tóquio, sede da próxima Olimpíada. A promessa é de uma "virada de chave" total. Saem a animação e a gambiarra – termo destacado pelo próprio comitê organizador –, entra a alta tecnologia. Ao público, só resta aguardar.

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