Wander Roberto/CPB
Wander Roberto/CPB

Algoz da Argentina, Nonato quer conquistar a sua 3ª medalha do Futebol de 5 em Tóquio

Com cinco gols, artilheiro ajudou o Brasil a passar pela fase grupos de forma invicta e sem sustos na Paralimpíada do Japão

Caio Possati, Especial para o Estadão

02 de setembro de 2021 | 05h00

Em 2010, quando descobriu a modalidade do Futebol de 5, disputada por jogadores cegos, Raimundo Nonato chegou em casa dizendo, em tom de brincadeira, que disputaria os Jogos Paralímpicos de Londres, em 2012. Como resposta, ouviu dos parentes que sonhar não custava nada. Hoje, com 33 anos, Nonato, como é mais conhecido, é o pivô da seleção brasileira paralímpica e está no Japão com a missão de defender o ouro que ele ajudou a conquistar na Inglaterra e Brasil, cinco anos atrás, em 2016.

Com cinco gols marcados na Paralimpíada de Tóquio, Nonato ajudou a seleção brasileira da modalidade a passar com tranquilidade na primeira fase da competição de futebol de 5. Na vitória sobre a China por 3 a 0, na estreia dos Jogos, o pivô marcou dois gols. No dia seguinte, ele voltou a balançar as redes na goleada de 4 a 0 sobre o Japão. E contra a França, o artilheiro fez outra boa exibição e anotou duas vezes na vitória por 4 a 0 em cima dos europeus.

Natural de Orocó, interior de Pernambuco, Nonato nasceu sem visão por causa de uma doença congênita chamada Retinose. Como sempre gostou de futebol, tinha o costume de jogar com os amigos nos campos de terra das zonas rurais da cidade. O barulho da bola rolando no chão de areia ajudava o pernambucano a se localizar no terreno e no jogo. Foi assim que aprendeu.

Nonato até conhecia o futebol de 5 por acompanhar as partidas paralímpicas e parapan-americanas, mas não praticava. Em 2010, com 23 anos, ele foi apresentado à modalidade e à bola com guizo por meio de um amigo. Contudo, o convite para conhecer o esporte veio junto com o de se mudar para Petrolina (cidade localizada a mais de 700 km de Recife) para poder praticar e se paerfeiçoar naquele jogo.

Para Nonato, o envolvimento com o esporte e a mudança de cidade foram fundamentais para ele desenvolver maior autonomia. "Eu tive de vir morar em Petrolina e, com isso, precisei aprender a andar sozinho na rua, a me virar em casa em relação a fazer a minha própria comida. Essa autonomia na vida foi o futebol de 5 que me proporcionou", declarou o jogador em entrevista concedida ao canal do Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB) no YouTube. 

Em Petrolina, Nonato ajudou a organizar uma associação na cidade para inscrever o time em que jogava para disputar as competições regionais de futebol de 5. Depois de ter sido destaque no Campeonato do Nordeste de 2011, conseguiu ser convocado pela primeira vez para a seleção brasileira paralímpica. Em 2012, já era um dos integrantes da equipe que conquistou o ouro na Paralimpíada de Londres, em 2012.

Vestindo o número 8 da amarelinha, o artilheiro coleciona títulos coletivos e individuais. Além de ser bicampeão paralímpico (Loncdres e Rio), Nonato também foi bicampeão mundial, bicampeão parapan-americano e bicampeão da Copa América, e foi eleito melhor jogador do Brasil de Futebol de 5 em 2019, no mesmo ano em que o País venceu a Copa América, em casa, batendo a Argentina na final por 2 a 0, com dois gols do pernambucano —  fez nove no torneio em seis partidas. "Fazer gol é bom. Mas fazer na Argentina, e em casa, é muito melhor", brincou.

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