Wander Roberto/COB
Alison dos Santos briga por pódio inédito para o Brasil nos Jogos de Tóquio. Wander Roberto/COB

Conheça Alison dos Santos, vítima de acidente doméstico aos 10 meses, e medalha de bronze em Tóquio

Paulista faz Brasil subir pela primeira vez ao pódio nos 400m com barreiras na história dos Jogos Olímpicos

Raphael Ramos, enviado especial/TÓQUIO, O Estado de S.Paulo

02 de agosto de 2021 | 05h00

Alison dos Santos fez história! O brasileiro conquistou a medalha de bronze nos 400m com barreiras nos Jogos de Tóquio. Depois de chegar à final como um dos favoritos ao pódio, o atleta garantiu a terceira colocação ao completar a prova em 46seg72.  Assim, ele se tornou o primeiro brasileiro a ser medalhista nessa modalidade. 

Além dos números expressivos em uma prova que o Brasil não tem tradição, o que se destaca nesse jovem de 21 anos nascido em São Joaquim da Barra (SP) é a sua história de vida. Quando tinha apenas dez meses de idade, ele sofreu um acidente doméstico grave. Bateu em uma frigideira cheia de óleo fervendo, que virou sobre si, provocando queimaduras de terceiro grau na cabeça, ombros, peito e braços.

Alison ficou internado durante meses e carrega as cicatrizes até hoje. Na cabeça, por exemplo, tem uma falha no cabelo. Quando ele não está competindo, quase sempre usa um boné para proteger a pele mais sensível do sol. Com exceção das marcas na pele, o acidente doméstico não deixou sequelas em Alison. 

O seu corpanzil, inclusive, é um diferencial em relação à maioria dos demais atletas. Ele tem 1,98 m de altura, sendo 1,12 m só de pernas, que facilitam na hora de dar passadas largas e transpor os obstáculos.

Quando criança, Alison se arriscou no judô. Foi nesse período que ganhou o apelido de Piu, mas logo trocou o tatame pelo atletismo.

Não é de hoje que a sua condição atlética lhe proporciona bons resultados nas pistas. Com apenas 16 anos, ele já competia entre adultos. Em 2019, aos 18 anos, venceu os 400 m com barreiras com o tempo de 48s84 e quebrou o recorde sul-americano sub-20.

Nos Jogos Pan-Americanos de Lima naquele ano, melhorou ainda mais a sua marca, com 48s45. Aí, ano a ano, prova a prova, vem correndo cada vez mais rápido e melhorando o seu desempenho até chegar aos 47s31 do último domingo que o colocaram com o segundo melhor tempo na classificação geral das semifinais dos Jogos Olímpicos de Tóquio.

Seus maiores adversários na final foram o norte-americano Raj Benjamin e o norueguês Karsten Warholm, atual recordista mundial (46s70) após derrubar em junho deste ano uma marca que já durava 29 anos. “O Warholm e o Benjamin são favoritos ao ouro, mas são oito classificados para a final e qualquer um pode levar a medalha”, disse Alison. “O Brasil pode esperar que essa será uma das provas mais fortes e mais bonitas, não porque eu estou nela, mas porque a prova está muito forte.”

De fato, houve inclusive quebra de recorde mundial na briga pelo pódio. O norueguês Karsten Warholm, que terminou em primeiro, cravou o tempo de 45s94 e se tornou o atleta olímpico mais veloz nessa modalidade. Já Piu, com 46s72, quebrou o recorde sul-americano. 

Controlar a ansiedade e o nervosismo foi o principal desafio de Alison antes da sua primeira final olímpica. “Os Jogos Olímpicos são a maior competição para nós, mas tentamos levar na maior leveza possível para não deixar o nervosismo ficar à flor da pele e atrapalhar um grande resultado. Tenho de manter a calma, porque treinamos muito, nos preparamos para isso. Nesse momento dos Jogos, tento me manter o mais tranquilo possível e descansar o máximo”, conta Alison.

 

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