Gaspar Nobrega/COB
Gaspar Nobrega/COB

Alison dos Santos quebra jejum de 33 anos e faz história com bronze nos 400m com barreira em Tóquio

Brasileiro garante pódio inédito para o Brasil na prova. Norueguês bate recorde mundial e fica com o ouro na Olimpíada

Raphael Ramos, enviado especial / TÓQUIO, O Estado de S.Paulo

03 de agosto de 2021 | 00h48
Atualizado 03 de agosto de 2021 | 09h15

Gigante! Com 1,98 m de altura e suas passadas largas, Alison dos Santos, de 21 anos, alcançou um feito enorme nesta terça-feira nos Jogos Olímpicos de Tóquio ao conquistar o bronze nos 400m com barreiras. Foi a primeira medalha do Brasil na prova em toda a história e também a primeira no atletismo na Olimpíada no Japão. De quebra, ele derrubou jejum de 33 anos, com a conquista de Robson Caetano e Joaquim Cruz, nos 800m, ambos em Seul-88, em provas individuais.

Em uma prova espetacular, com quebra de recorde mundial, Alison foi muito bem principalmente nos metros finais, onde garantiu o terceiro lugar com boa vantagem para o quarto colocado.

O ouro ficou com o fenômeno norueguês Karsten Warholm, que cravou 45s94 e pulverizou o recorde mundial. O medalhista de prata foi o americano Rai Benjamin (46s17). Com o tempo de 46s72 no Estádio Olímpico de Tóquio, Alison ainda quebrou o recorde sul-americano novamente.

A trajetória desse paulista de São Joaquim da Barra (SP) em uma prova que o atletismo brasileiro não tem tanta tradição é surpreendente. Ele foi o primeiro atleta do País a correr a prova abaixo de 48 segundos. Somente nesta temporada já havia derrubado o recorde sul-americano cinco vezes antes de conquistar a inédita medalha em Tóquio.

 

Alison consegue aliar a sua capacidade física – só de pernas tem 1,12 m – com um talento raro. Quando completou 16 anos, por exemplo, começou a disputar provas na categoria adulta. Quando fez 18 anos, quebrou o recorde sul-americano sub-20.

Seu começo de vida não foi fácil. Com dez meses de idade, ele sofreu um acidente doméstico. Uma frigideira com óleo virou sobre si. Ele ficou meses internado para tratar das queimaduras de terceiro grau na cabeça, ombros, peito e braços.

As cicatrizes daquele acidente estão com ele até hoje. A mais evidente é uma falha no cabelo. Quando criança, Alison tentou ser judoca. Foi nesse período que ganhou o apelido de Piu. O garoto trocou o tatame pelo atletismo e hoje é medalhista olímpico. Seu sorriso é típico de quem é de bem com a vida. Fala com alegria. Após a marca, conversou com seus familiares por vídeos ainda na pista e agradeceu o apoio de todos eles.

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