Athit Perawongmetha/Reuters
Athit Perawongmetha/Reuters

Alta do dólar e coronavírus desafiam torcedor brasileiro para os Jogos de Tóquio

Pacotes para acompanhar Olimpíada custam a partir de R$ 23 mil; dicas para economizar incluem transporte público e refeição em lojas de conveniência

Paulo Favero, O Estado de S.Paulo

18 de fevereiro de 2020 | 14h01

Faltam pouco mais de 150 dias para os Jogos de Tóquio e muitos brasileiros se preparam para visitar o Japão nesse período especial. A competição será realizada entre 24 de julho e 9 de agosto e tem um custo alto para o torcedor nacional, não apenas por causa da distância entre os dois países, mas também pela valorização do dólar nos últimos meses, hoje na casa dos R$ 4,30.

Outro temor é em relação ao coronavírus e o quanto isso pode atrapalhar o programa no Japão. Nesta semana, a organização da Maratona de Tóquio, que será disputada em 1º de março, avisou que apenas os 206 atletas de elite (incluindo cadeirantes) poderão participar do evento. Os 38 mil corredores amadores que iriam competir não poderão mais.

No ano passado, O COB (Comitê Olímpico do Brasil) definiu a empresa suíça Match Hospitality AG como Revendedora Oficial de Ingressos dos Jogos de Tóquio para os torcedores brasileiros. E ela escolheu três agências para fazer o serviço com exclusividade: a Ambiental Viagens e Turismo, a Quickly Travel e a Century Travel, todas com sede em São Paulo.

Esta é a primeira vez que a Match faz a Olimpíada no Brasil. O maior mercado é o Estado de São Paulo, com 54% das procuras por ingressos. Segundo a empresa, as vendas têm sido excelentes, mas o números são confidenciais e não podem ser divulgados.

Thiago Esperandio, da área de marketing da Ambiental, conta que sua agência tem tido boa procura no que se refere aos Jogos de Tóquio. "Como percepção vemos que existe procura e o pessoal tem ligado bastante para saber sobre os pacotes, que custam a partir de US$ 5.304 (R$ 23,1 mil)", diz. Ele lembra que a empresa não costuma divulgar números das vendas de pacotes.

Mami Fumioka, vice-presidente da Quickly Travel, explica que um pacote de seis noites custa a partir de US$ 5.400 (cerca de R$ 23,5 mil). "O custo de vida é alto no Japão, mas existem várias dicas que a gente dá para o passageiro. Se for comer em restaurantes caros, vai gastar mais. Em lojas de conveniência dá para comer bem por US$ 5 a 10 (R$ 21 a 43). É preciso buscar dicas para viajar mais barato", aponta.

Ela lembra que a principal preocupação dos viajantes neste momento é com a epidemia de coronavírus na China, país próximo ao Japão. "Lembro que em 2016 tivemos problema igualzinho com zika vírus e durante oito meses foi um pânico, vinha muita pergunta dos japoneses que queriam vir para os Jogos do Rio sobre isso. No fim deu tudo certo. Existe também temor com o preço do dólar, mas o público brasileiro já tem ideia de valores."

Naquela edição, a empresa fez o receptivo para os torcedores orientais no Brasil. Agora está realizando o caminho inverso e levando brasileiros para Tóquio. "O Japão é muito precavido. Os japoneses são extremamente organizados e as pessoas que estão com gripe usam máscara. O máximo de cuidado está sendo tomado no país. De fato, o problema existe, é uma gripe, pois na Ásia é inverno agora. Mas a tendência é melhorar."

Apesar desses problemas, Mami revela que os Jogos de Tóquio estão tendo uma procura boa pelos torcedores. "O público da Olimpíada é de amante do esporte, ou de praticante, ou é campanha de empresa que leva ganhadores, e também existem muitas pessoas que são fanáticas por Olimpíada. A modalidade mais procurada é o futebol, depois vem tênis, vôlei (de quadra e de praia), e os novos esportes, como surfe e skate", diz.

Um torcedor que já tem tudo preparado para estar em Tóquio durante a Olimpíada é o médico Rubens Tofolo Junior. Ele foi um dos criadores do grupo Chapolins Torcedores, famoso por empurrar os atletas nacionais em eventos esportivos. "Tóquio vai ser a Olimpíada mais cara de todos os tempos. Somos 15 pessoas e a gente não vai conseguir ver tudo que gostaria", lamentou. "É minha quinta Olimpíada e nunca vi uma tão cara."

Recentemente, ele passou três semanas no Japão e conseguiu alugar o espaço onde o grupo vai ficar. "Conseguimos uma casa após alguns contatos. Vamos ficar em sete flats em um condomínio durante 19 dias. Tudo vai sair por US$ 20 mil (R$ 86,5 mil)", informou Rubens, que lamentou não ter conseguido ainda ingressos para esportes coletivos.

10 DICAS DE RUBENS TOFOLO JUNIOR 

  1. Veículos - "Táxi é impossível pegar, é muito caro. Inclusive, Uber é mais caro ainda. Um táxi do aeroporto de Narita para Shibuya é mais ou menos R$ 500. É um meio de transporte para rico, só usaria em situação de emergência", explica.
  2. Metrô - O torcedor conta que o metrô cobra por cada baldeação. Por isso, tem uma dica preciosas. "Para quem vai, vale a pena comprar o cartão mensal PASMO, que custa por volta de US$ 150 dólares por todo esse período", diz.
  3. Postura - O médico lembra que dentro do metrô de Tóquio é proibido falar ao celular e bater fotos. Pode apenas ouvir música com fone e digitar para alguém. "O metrô é muito cheio das 7h às 9h30 e de 18h às 20h, nos horários de pico. Para ver uma competição, é bom chegar antes porque vai ter fila no metrô", avisa.
  4. Respeito - "Os japoneses são muito pontuais para horários marcados, a tolerância é de 5 minutos no máximo. Tem vagão só para mulheres, pois existe muitos casos de assédio no metrô. Lá, a mão é para esquerda, então se sobe a escada pela esquerda e deixa a direita livre. Eles se aborrecem com falta de etiqueta", comenta.
  5. Alimentação - "A comida é cara em Tóquio, de R$ 100 para cima se for para sentar em restaurante. Tem muitas lojas de conveniência que dá para comprar a comida, esquentar e comer na rua. Isso fica em torno de 20 reais. Quem não quer gastar, é a melhor opção. Tem ainda restaurantes mais baratos que mostra as fotos do prato na entrada, você escolhe, pega o tíquete, o serviço é agilizado e mais em conta", conta.
  6. À mesa - "Em um restaurante, o ideal é que não se chame o garçom, ele vem à mesa. Também não pode entregar o dinheiro na mão da pessoa, tem de colocar no prato. Também não se dá gorjeta, isso é ofensivo para eles", afirma.
  7. Grana - Apesar de Tóquio ser uma cidade bastante tecnológica, ainda existem locais que não aceitam cartão de crédito. Por isso é sempre bom andar com uma quantia razoável de ienes na carteira.
  8. Culinária - O torcedor conta que existem três tipos de macarrão mais famosos no Japão: o lamen, o soba e o udon. "A diferença está na espessura. Também vale experimentar a okonomiyaki, famosa panqueca japonesa, e tomar cerveja e uísque japoneses, que são muito bons", diz.
  9. Experiência - Um dica do médico é tentar ir ao famoso banho japonês, que oferece a sensação de voltar no tempo. "Você recebe um quimono, tem lugar para comer, é curioso. Lá, a média que se vai gastar em diversão não sai por menos de R$ 100", explica.
  10. Aplicativo - Uma ferramenta que pode ser útil ao turista que viaja ao Japão é um programa para celular, o 73eats, que traduz o cardápio em Kanji. Um detalhe é que símbolo azul mostra que o prato é frio e símbolo vermelho indica que é quente.

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