Oli Scarff / AFP
Oli Scarff / AFP

Americana candidata ao ouro nos 100m rasos testa positivo para maconha e se coloca fora de Tóquio

Sha'Carri Richardson alega que usou droga para lidar com a morte de sua mãe, pega suspensão de um mês e afirma que não vai disputar os Jogos Olímpicos

Redação, O Estado de S.Paulo

02 de julho de 2021 | 09h58
Atualizado 02 de julho de 2021 | 12h54

Sha'Carri Richardson, corredora da equipe norte-americana dos 100m rasos, foi suspensa por um mês pela Usada, Agência Antidoping dos Estados Unidos, depois de testar positivo para maconha. Com isso, é improvável que ela dispute o ouro Jogos Olímpicos de Tóquio, que começam em 23 de julho.

O resultado positivo veio nos testes olímpicos dos EUA, que ocorreram entre os dias 18 e 27 de junho, no estado de Oregon. O jornal jamaicano Gleaner foi o primeiro a dar a notícia na noite de quinta-feira. Richardson se colocou como forte candidata a conquistar uma medalha de ouro ao vencer a prova dos 100m com o tempo de 10s86, uma de suas cinco corridas abaixo dos 11s nessa temporada.

Isso causou a desclassificação da atleta do evento-teste e, portanto, seus resultados foram apagados. Jenna Prandini, quarta colocada na prova, foi chamada para correr os 100m em Tóquio. 

Richardson admitiu o erro, em entrevista ao Today Show, da emissora NBC. "Não me julguem, porque eu sou humana, eu simplesmente corro um pouco mais rápido", afirmou. "Eu sei o que fiz. Eu sei o que devo fazer. Eu ainda tomei essa decisão". Ela disse que usou a droga para lidar com a morte de sua mãe biológica, que ocorreu há uma semana. "Me desculpem pelo fato de não saber controlar minhas emoções ou lidar com isso durante esse tempo."

Apesar disso, a agência estadunidense decidiu suspender Richardson por um mês. Vale destacar que a suspensão foi por "uma substância de abuso", e não por melhorar a performance. A WADA, Agência Mundial Antidoping, ainda não determinou a punição da atleta. A maconha é proibida pela organização, mas se os atletas provarem que a ingestão da substância não teve relação com seu desempenho esportivo, a punição é reduzida de quatro anos para três meses. 

O tema começou a ser discutido nas redes sociais, causando argumentos a favor e contra a atleta. Enquanto alguns pensam que a corredora deveria se submeter às regras internacionais, outros defenderam Richardson, dizendo que a maconha é aprovada em mais de 19 estados americanos, incluindo Oregon, onde aconteceu o doping. Ainda não existem provas de que a cannabis aumenta a performance dos atletas, apesar de ser uma substância proibida pelos órgãos responsáveis.

Em Tóquio, Richardson esperava ser a primeira mulher norte-americana a vencer os 100m Olímpicos desde Gail Devers, em 1996. Em abril, a texana atingiu a marca de 10s72. Teoricamente, a estrela do atletismo dos EUA estaria permitida a participar dos Jogos, pois a punição começou no dia 28 de junho, e as competições da modalidade só iniciam em 30 de julho. 

No entanto, seus resultados continuam sem validade. Assim, a Usada determinou que essa seria uma decisão para o time de atletismo e o comitê olímpico norte-americanos. Apesar disso, a corredora sugeriu em sua entrevista que não deve participar do torneio e focará em si mesma. "Me desculpem se eu decepcionei vocês, e eu decepcionei. Essa será a última vez que os EUA voltam para casa sem um ouro nos 100m."

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