Análise: A 300 horas para a abertura, vale a regra da ‘tolerância zero’

Os 10 suspeitos presos na Operação Hashtag não formam um grupo terrorista e, pelos consistentes padrões de organização do Estado Islâmico (EI), ainda deveriam passar por várias etapas de avaliação e doutrina antes de evoluírem da condição de animados simpatizantes para o patamar dos militantes ativos. Isso todavia não relativizou a reação das autoridades federais – faltando pouco mais de 300 horas para a abertura dos jogos do Rio, vale a regra da tolerância zero. 

Marcelo Godoy, O Estado de S.Paulo

23 de julho de 2016 | 05h00

O comando das organizações, agências civis e militares envolvidas no processo acompanhava a atividade dos detidos, com idades entre 19 e 40 anos, há cerca de 90 dias. As agências especializadas dos Estados Unidos, Inglaterra, França e Israel mantém há dois anos intensa troca de informações com o Ministério da Defesa e com a Polícia Federal. O amplo esquema montado no Rio e nas cinco cidades (Brasília, Salvador, Belo Horizonte, Manaus, São Paulo) nas quais haverá jogos do torneio de futebol, mobilizou 41 mil militares e equipamentos. Só o orçamento da Defesa, considerados os investimentos feitos a partir da Copa do Mundo de 2014, bateu nos R$ 778,4 milhões.

De acordo com uma análise da Rand Corporation, empresa privada de pesquisas estratégicas, cada um dos grandes atentados realizados pelo Estado Islâmico implica dois anos de preparação – depois da definição do alvo pelos terroristas. De certa forma, é assim, mesmo com as ações dos lobos solitários, como o tunisino Lahouaiej Bouhlel, que planejou por vários meses o massacre do dia 14, em Nice.

O meio mais eficiente de localização dos extremistas é por meio do rastreamento eletrônico. Ouvir conversas telefônicas, invadir a troca de correspondência por computadores, entre outros.  Todas as vezes que um grande evento terrorista está prestes a acontecer há uma mudança no modelo do tráfego de dados. É uma alteração sutil, delicada. “Quase como se houvesse uma pequena elevação do grau de excitação nas redes”, disse ao Estado um oficial ligado à inteligência cibernética. O ruído de fundo é identificado pela frequência das mensagens, o teor e pela escolha das palavras em cada texto. Segundo o analista, “há dezenas, talvez centenas, de referências a serem consideradas”.

O risco de um atentado do EI nos Jogos é pequeno, embora possível. A rígida estrutura da organização – um recurso para garantir a própria segurança – c0ntribui para esse quadro. O EI é formado por unidades de 240 militantes, os Batalhões da Fé, divididos em 20 grupos de 12 homens e mulheres. Há um líder de campo. Esse formato, criado pelo chefe da facção, Abu Bakr al-Baghdadi, muda de tamanho de acordo com cada missão e do suporte local.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.