Análise: Estado Islâmico pendura sua marca na Olimpíada

.

WILSON TOSTA, O ESTADO DE S.PAULO

22 de julho de 2016 | 07h00

A duas semanas da Olimpíada e sem disparar um só tiro em território brasileiro, o Estado Islâmico já marcou um ponto: conseguiu “pendurar” sua marca nos Jogos do Rio. Eles começarão sob o medo do terrorismo, desconhecido pelos brasileiros em seu País, embora rotina nos EUA e Europa. 

As condições do Rio tornam a Olimpíada de 2016 um alvo atrativo para terroristas. Ela acontecerá em uma sociedade sem a experiência de terror recente, onde um ataque tenderia a gerar medo desproporcionalmente maior que a ameaça. Isso é valioso para esses grupos.

Sucessivos exercícios, reuniões e entrevistas de autoridades também estimularam o cenário de insegurança dos últimos dias. O ministro da Defesa, Raul Jungmann, prometeu abate de avião e avisou: “Não estamos para brincadeira”. Seu colega da Justiça, Alexandre de Moraes, anunciou a reação “mais dura possível”.

São atitudes opostas ao que pregam especialistas em contraterrorismo. Esses pedem discrição e linguajar não militarista para não aumentar a ameaça e não dar ao terror importância maior do que a que tem. 

A tensão ajuda o EI a espalhar o medo junto aos anéis olímpicos sem precisar usar violência. A solução pode estar no lema de Londres após os atentados de 2005: “We’re not afraid” (“Não temos medo”).

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.