Flávio Perez/Divulgação
Flávio Perez/Divulgação

André Brasil mira mais quatro ouros nas Paralimpíadas do Rio

Vencedor de dez medalhas nos Jogos, nadador lembra que sempre enfrentou atletas sem deficiência e tem meta ousada para 2016

O Estado de S. Paulo, Marcio Dolzan

06 de janeiro de 2015 | 07h00

Ganhador de dez medalhas paralímpicas, sete delas de ouro, o nadador André Brasil tem uma meta ousada para os Jogos do Rio 2016. Ele pretende repetir o feito de Pequim 2008, quando disputou a Paralimpíada pela primeira vez, e conquistar quatro medalhas de ouro em provas individuais - além de buscar pódios também nos revezamentos.

Portador de uma pequena sequela na perna esquerda, fruto de uma poliomielite diagnosticada aos seis meses de vida, André Brasil começou na natação ainda criança como exercício para reabilitação. Não tardou, porém, para treinadores perceberem que ele tinha potencial para competir. Aos sete anos, federou-se pelo Botafogo do Rio. E, aos 10, começou a disputar provas na natação convencional.

"Sempre participei de competições com atletas sem deficiência", lembrou André ao Estado, pouco antes de iniciar um treino para a disputa do Brasileiro Sênior e do Torneio Open, em dezembro passado, no Rio. "Faz uns dois ou três anos, por problemas pessoais, que eu deixei de participar do Maria Lenk e do Finkel e foquei mais no esporte adaptado."

O nadador, porém, quase desistiu das piscinas no início da idade adulta, quando os bons resultados começaram a desaparecer. "Às vezes a diferença do meu tempo comparado ao esporte olímpico era de um ou dois segundos, só que nesse um segundo existia uma infinidade, uns cinco mil atletas", justificou.

Foi inspirado pelo nadador paralímpico Clodoaldo Silva, que nos Jogos de Atenas, em 2004, conquistou seis ouros e um bronze, que André Brasil decidiu seguir a carreira no esporte adaptado. Em 2008, disputou sua primeira Paralimpíada e conquistou quatro ouros e uma prata, em Pequim. Quatro anos mais tarde, subiu ao lugar mais alto do pódio nos Jogos de Londres em três oportunidades, além de faturar um bronze.

"No esporte paralímpico eu tenho uma única definição: transformação, que é o que foi na minha vida. Ele transformou uma criança, um adolescente, um jovem adulto desacreditado já no esporte", contou. "Passei de uma pessoa que dependia dos pais, para uma pessoa que ajuda os pais."

Apesar de fechar o calendário de 2014, o Brasileiro Sênior foi encarado pelo nadador como uma preparação para 2015, quando disputará o Mundial de Natação de Glasgow, na Escócia, e os Jogos Para-Panamericanos de Toronto, no Canadá.

"A gente tem a nata da nata do esporte brasileiro aqui (no Brasileiro Sênior)", afirmou Brasil. "Estar com esses atletas, e poder me inspirar e me espelhar, vai me trazer uma 'chama' a mais. Não digo que vou brigar por medalhas, mas quem sabe minha medalha seja ficar entre os dez ou entre os 20", comentou o atleta do Esporte Clube Pinheiros.

Aos 30 anos, André Brasil garante ainda estar longe do fim da carreira - ele pretende disputar os Jogos Paralímpicos de Tóquio, em 2020. O atleta, porém, admitiu que, até lá, terá expectativas mais modestas. "Com certeza não vou me doar tanto quanto quando era mais jovem. Já estou começando a dosar", considerou ele, atual detentor de seis recordes mundiais na natação adaptada.

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