Hélvio Romero/Estadão
Hélvio Romero/Estadão

Aos 11 anos, Rayssa deixa de ser 'Fadinha' do skate e mira Olimpíada

Maranhense, que viralizou nas redes com o apelido, está entre as melhores do mundo na modalidade street e sonha com os Jogos Olímpicos de Tóquio, em 2020

Catharina Obeid, O Estado de S.Paulo

03 de junho de 2019 | 04h30

Rayssa Leal era a Fadinha do skate até pouco tempo atrás. Aos 11 anos, a pequena atleta nascida em Imperatriz, no Maranhão, resolveu deixar para trás o apelido que ganhou nas redes sociais. Mudou a maneira como se apresenta e abandonou a fantasia de fada que a fez viralizar, mas não perdeu o encanto. Pelo contrário. Desde o fim do ano passado, Rayssa integra a seleção brasileira na modalidade street, que consiste em uma pista que simula obstáculos de rua como escadarias, rampas e corrimões.

Para se ter uma ideia, caso o ranking internacional que classifica os skatistas para os Jogos Olímpicos de 2020 fechasse hoje, Rayssa estaria credenciada para embarcar rumo a Tóquio – não há limite de idade para se classificar. Ela é a 3.ª melhor do mundo e a segunda no Brasil. Mas a menina agitada, cheia de energia e de sorriso fácil não leva tudo isso tão a sério. Treina três horas todos os dias, exceto aos domingos, e encara as competições como um momento de diversão. “Para mim é como se fosse uma brincadeira, mas saber que eu consigo ajudar meus pais com isso é meu maior orgulho”, diz Rayssa ao Estado.

De fato, o começo não foi dos mais fáceis. A primeira vez que a pequena subiu em cima das quatro rodinhas foi aos 6 anos, quando seus pais atenderam um pedido seu e a deram um skate de aniversário. Rayssa confessa que foi “um pouquinho difícil” no começo, mas um ano depois já estava competindo. Aprendeu tudo por conta própria, vendo vídeos no celular e repetindo cada manobra inúmeras vezes, até conseguir. Para isso, deixou de lado a boneca, que nunca foi seu brinquedo favorito, e aproveitou o tempo longe de outras crianças para se dedicar ao esporte.

O incentivo de inscrevê-la em torneios partiu dos skatistas que frequentavam a mesma pista que ela, ao perceberem seu talento. Os pais decidiram, então, atravessar o País para levá-la ao Campeonato Brasileiro de Street Infantil, em Santa Catarina. “Não tínhamos dinheiro para a passagem de volta nem para nos alimentarmos direito todos os dias lá”, conta Lilian Leal, mãe de Rayssa. Em sua estreia competindo, a maranhense não foi apenas campeã. Ela conquistou tanto o público que os donos dos food trucks que participavam do evento juntaram dinheiro para ajudar a família a voltar para casa.

Rayssa foi treinando, melhorando e colecionando títulos, até que sentiu a necessidade de se desafiar em novas categorias. Aos 9 anos parou de competir entre as crianças e passou a disputar a categoria geral. Ficou um pouco nervosa no começo, mas logo descobriu uma maneira de se tranquilizar. “Fico pensando no meu irmão e isso me dá incentivo para ir bem”, revela antes de dizer que Arthur Felipe, de 4 anos, é fã de futebol como ela. Corintiana, Rayssa também arruma tempo entre os estudos, lições de casa e sessões de fisioterapia para atuar de lateral-direita na escolinha de futebol que frequenta duas vezes por semana.

Não se engane, não restam dúvidas quando ao que ela quer ser no futuro: “skatista profissional”, responde, certeira. O objetivo principal já foi estabelecido. “Desde quando surgiu a ideia de colocar o skate na Olimpíada já pensei na possibilidade de estar na seleção. Meu sonho é ganhar uma medalha de ouro e acho que consigo”, afirma. Para isso, o primeiro passo é continuar bem no ranking.

O próximo compromisso de Rayssa é no tradicional Dew Tour, torneio que ocorre em Long Island, na Califórnia. De 13 a 16 de junho, os principais nomes tanto do park quanto do street estarão competindo pelo pódio e, portanto, por pontos na corrida olímpica. “Eu não estou mais nervosa como estava nos últimos campeonatos. Como estou indo bem, acho que consigo pegar um pódio lá também”, projeta.

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