Aos 16 anos, Ana Marcela se destaca na maratona aquática

Atleta consegue o quinto lugar e diz que irá treinar muito para chegar ao pódio nos Jogos Olímpicos de 2012

Marcelo Teixeira, Reuters

20 de agosto de 2008 | 04h55

A brasileira Ana Marcela Cunha, 16 anos, se destacou nesta quarta-feira na prova da maratona aquática da Olimpíada de Pequim, acompanhando o ritmo das primeiras durante todo o tempo e chegando em quinto lugar, apenas cinco segundos atrás da medalhista de bronze. Veja também: Brasil fica fora do pódio na maratona aquática femininaA campanha brasileira na Olimpíada de PequimAna Marcela nadou os dez quilômetros da prova dando quatro voltas na raia montada no local das competições de remo em Pequim com o tempo de 1h59min36s. A primeira colocada, a russa Larisa Ilchenko, fez o percurso em 1h59min27s. A baiana, que se mudou com a família para Santos há dois anos para treinar e competir pela equipe da Unisanta, terminou a prova à frente da outra brasileira na competição e que era cotada para uma medalha, Poliana Okimoto, que chegou em sétimo. "Eu estava me sentindo bem na raia, estava confiante", disse a atleta, a mais jovem das 24 competidoras. "Claro que a gente sempre nada pensando em medalha, mas acho que foi um resultado bem legal. Ficar em quinto contra as melhores nadadoras do mundo na primeira Olimpíada acho que está bom", acrescentou. Ana Marcela apareceu no cenário da maratona apenas recentemente, depois de uma vitória neste ano na etapa de Setúbal (Portugal) da Copa do Mundo. "Ela é um talento", afirmou o técnico da nadadora, Marcio Latuf. "Nadando nesse ritmo com 16 anos ela tem um potencial enorme para evoluir, se continuar tendo apoio e seguir treinando forte". Latuf acredita que Ana Marcela poderia ter ido ainda melhor se tivesse adotado a estratégia de nadar um pouco à frente de onde estava na maior parte da prova. "Ela ficou muito tempo no pelotão intermediário e ali é difícil, porque esbarra nas outras, às vezes é atrapalhado por outras nadadoras". Ana afirmou que estava confortável nadando mais atrás, mas acrescentou que realmente existe contato entre as nadadoras e que precisa ganhar mais experiência para saber lidar com esse tipo de situação durante as provas. "Comecei a treinar para a maratona de verdade só há um ano e meio. Tem muita malícia que eu ainda preciso aprender", disse ela, que também disputa provas de fundo na piscina. A nadadora, que tem o apoio integral do pai, George Cunha, que cuida de detalhes como trajes e patrocínios, afirmou que prefere nadar no mar, onde está mais acostumada, e que a raia de Pequim favoreceu nadadoras que treinam mais em piscina. Mas tanto ela como o técnico elogiaram o local e também a qualidade da água, bastante limpa, apesar dos temores antes dos Jogos relacionados à poluição ambiental. Ana e seu técnico já pensam nos próximos Jogos, em Londres/2012, quando ela estará com 20 anos. "Tenho quatro anos pela frente e tem muito que evoluir pra chegar bem na próxima Olimpíada", afirmou a nadadora. ERROAna Marcela admitiu que cometeu um erro na estratégia adotada nos metros finais da prova disputada no Parque Olímpico de Remo e Canoagem Shunyi.Nos últimos 1000 metros, ela dividia a terceira posição com a também brasileira Poliana Okimoto. No entanto, as duas se afastaram do pelotão principal, permitindo a passagem da russa Larisa Ilchenko, que acabou ficando com o ouro."Tentamos nadar ao lado da russa porque sabíamos que ficar do lado dela garantiria uma boa colocação. Abrimos para direta e, com isso, perdemos um pouco o contato com o grupo. Claro que faltou a medalha e acho que estive bem. Um erro de estratégia no final fez a diferença".Apesar de ficar sem medalha, a atleta de apenas 16 anos conseguiu igualar a melhor participação da natação feminina brasileira em Jogos Olímpicos. A baiana repetiu a quinta colocação obtida por Joana Maranhão nos 400 metros medley de Atenas/2004, e por Piedade Coutinho nos 400 metros livre de Berlim/1936."Repeti o resultado da Joanna e para as meninas dos esportes aquáticos isso é bom. Sou nova ainda e tenho certeza que em Londres será outra coisa. Estarei quatro ano mais experiente", finalizou. (Com EFE)

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