Satiro Sodré/SSPress/CBDA
Satiro Sodré/SSPress/CBDA

Após bater na trave em 2016, Vinicius Lanza vira realidade para 2020

Atleta de 21 anos é a principal aposta do Brasil na natação para os Jogos Olímpicos de 2020

Paulo Favero, O Estado de S.Paulo

02 Setembro 2018 | 05h07

20 de Abril de 2016. Vinicius Lanza fica a cinco centésimos de carimbar sua vaga olímpica na seleção brasileira de natação para disputar os Jogos do Rio nos 100m borboleta. A decepção foi tão grande que ele repensou sua carreira. “Foi bem difícil. Eu particularmente não consegui assistir à Olimpíada, ainda doía muito, foi por pouquinho mesmo que eu não fui para o Rio”, relembra o rapaz.

Logo depois daquela seletiva, ele se reuniu com seu treinador, Ray Looze, e a questão foi muito discutida. “Meu treinador me disse que acabou sendo (ficar fora dos Jogos) uma coisa positiva porque eu iria querer mais e não ficaria satisfeito. Ele não queria que eu só fosse ainda para uma Olimpíada. Quero ir, mas não apenas para competir, quero buscar medalha, lutar para ganhar. Isso me deu mais gás e uma perspectiva real de que poderei chegar lá”, comenta.

O combustível da frustração tornou Lanza a sensação brasileira das piscinas. Ele vem conquistando vitórias, melhorando suas marcas e tendo uma incrível ascensão, fruto do trabalho que é desenvolvido com a equipe de elite na Universidade de Indiana, nos EUA. Lá, ele treina com atletas de ponta como Lilly King, recordista mundial nos 100m peito, Blake Pieroni, campeão olímpico, e Cody Miller, ouro no revezamento nos Jogos do Rio. “Esses caras treinam do meu lado e isso é um combustível a mais. Eles são campeões olímpicos e estão fazendo o mesmo programa que eu, me puxando. Eu me mostro competitivo com eles nos treinos e competições. Ao mesmo tempo isso é um incentivo que mostra que a gente pode chegar lá”, diz o menino nascido em Belo Horizonte.

Aos 21 anos, Lanza demorou para conseguir resultados. Ele mesmo brinca que foi ganhar sua primeira medalha na piscina somente aos 17. “Quando o atleta é mais novo, passa por uma fase difícil. Alguns crescem mais cedo, e eu tive uma maturação mais tardia. Por isso não conseguia resultados. Mas nunca desisti e sempre treinei muito”, explica.

Lanza lembra que na hora de competir sempre parecia que algo estava errado, pois os resultados não apareciam. “Agora acho que estou chegando num patamar que sempre quis estar. Queria chegar à seleção e viajar o mundo nadando, então estou muito feliz de ter acontecido isso e chegado nesse patamar”, disse o atleta, que no Troféu José Finkel competiu pelo Minas Tênis, clube onde se desenvolveu e defende até hoje.

O garoto começou a nadar aos 3 anos de idade porque o pai tinha uma preocupação com sua segurança. “Minha família tem tradição em pescaria. Os caras gostam de tomar uma na frente do rio e pescar. Então, meu pai, por segurança, me colocou na natação, porque muitas vezes ele está só comigo no barco, como uma forma de proteção mesmo. Tomei gosto pelo esporte, mostrei talento e fui levando. Já são 18 anos nadando e estou feliz agora de estar chegando onde sempre sonhei.”

Vai, Lanza!

O rapaz revela que em todas as competições sua família faz o possível para estar próxima. Se a mãe de Thiago Pereira ficou famosa por gritar “Vai, Thiago” antes do filho competir, é o pai de Lanza que repete um gesto parecido. “Meu pai e minha mãe estão em quase todas as competições, sempre que dá eles vão. Meu pai dá um assobio antes de eu nadar, ninguém tem igual. Aí já sei que ele está lá e isso me dá segurança”, conta, rindo. “Eles estão orgulhosos de mim. E eu estou feliz de estar colhendo os frutos do trabalho.”

 

 

Encontrou algum erro? Entre em contato

Fernanda Celidônio, promessa da natação acostumada a recordes

Atleta de 15 anos tem ótimo aproveitamento na base e espera repetir o sucesso nas piscinas nos próximos anos

Paulo Favero, O Estado de S.Paulo

02 Setembro 2018 | 05h08

Fernanda Celidônio é uma atleta da nova geração que, se mantiver o que vem fazendo nas categorias mais novas da natação, tem tudo para brilhar no futuro. Ela tem diversos recordes desde que começou a nadar: são três no Infantil 1, outros três no Infantil 2, todos em piscina de 50 metros, e agora, já na categoria juvenil 1, quebrou três marcas no Troféu José Finkel, em piscina de 25 metros.

“Eu acho que tenho uns 19 ou 20 recordes. Estou superando marcas a cada ano, desde que me tornei Petiz 1, desde os 11 anos, e isso mostra a evolução na natação. Espero sempre conseguir buscar novos objetivos, chegar mais longe e perto das melhores do Brasil”, afirma a menina de 15 anos, que é do clube Asbac/Aquanaii, de Brasília.

Os pais de Fernanda (Hélio Celidônio e Miriam Gomes) foram nadadores e chegaram até a seleção brasileira. A irmã também nada. Portanto, ela não poderia ficar longe da piscina. “Meu pai bateu recorde mundial de revezamento como atleta master. Ainda não cheguei perto dele, mas estou em busca disso. Meus pais são minha grande inspiração”, comenta.

Apesar do sucesso precoce, Fernanda sabe que não pode abrir mão dos estudos e concilia o ritmo de treinos com a escola. Ela nada desde os 6 meses e espera não parar tão cedo. “Meu sonho é chegar o mais longe que conseguir. Essa é a essência do esporte. A natação feminina está crescendo”, diz.

 

 
Mais conteúdo sobre:
natação

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.