Marko Djurica/ Reuters
Marko Djurica/ Reuters

Após bronze em Tóquio, Fratus agradece a Cielo e Xuxa por mostrarem que 'era possível'

Brasil soma quatro pódios olímpicos na história dos 50m livre e mantém tradição na prova mais rápida da natação

Raphael Ramos, enviado especial/ Tóquio, O Estado de S.Paulo

01 de agosto de 2021 | 00h21

Mais novo medalhista brasileiro nos 50m livre, o nadador Bruno Fratus fez questão de agradecer a Cesar Cielo e Fernando Scherer, o Xuxa, que assim como ele também subiram ao pódio olímpico na prova mais rápida da natação. Neste sábado (horário de Brasília), Fratus foi bronze nos Jogos de Tóquio com o tempo de 21s57. O ouro ficou com o norte-americano Caeleb Dressel, novo recordista olímpico, com 21s07. O francês Florent Manaudou foi prata, com 21s55.

“Cesar Cielo mostrou que era possível há uns anos. No começo da minha carreira, se eu não tivesse tido a oportunidade de treinar e competir ao lado de quem eu acredito ser o melhor velocista da história eu não teria chegado aqui hoje”, disse Fratus, para depois completar: “Disse uma vez que não tenho ídolo, mas vou usar essa palavra, meu ídolo, que eu cresci vendo, Fernando Scherer, que mostrou que era possível anos atrás”.

Nos Jogos de Atlanta, em 1996, Xuxa conquistou o bronze, primeira medalha do Brasil na prova dos 50m livre. Depois, Cielo foi campeão olímpico em Pequim-2008 e bronze em Londres-2012. Cielo era até esse sábado dono dos recordes mundial e olímpico da prova.

Com os 21s07 deste sábado, Dressel pulverizou os 21s30 de Cielo nos Jogos de Pequim-2008. O brasileiro ainda é o dono do recorde mundial (20s91), alcançado no Open de 2009.

Fratus também lembrou da primeira medalha conquistada pelo Brasil na natação em Tóquio, com Fernando Scheffer, nos 200m livre. Segundo ele, o pódio do companheiro de equipe dias antes o ajudou a controlar melhor a ansiedade no decorrer da semana. A prova dos 50m fecha o programa olímpico da natação, com a final realizada apenas no último dia de competições da modalidade.

“Agradecer ao Fernando Scheffer, que mostrou essa semana que era possível. Por várias vezes, quando eu estava ansioso, eu pensava: ‘o Scheffão fez e você pode fazer também.’”

Lidar com a parte psicológica, inclusive, foi um dos maiores desafios de Fratus em busca da tão sonhada medalha olímpica. Após a prova, o nadador revelou que se “isolou” nos últimos dias para se concentrar apenas na sua prova. “Um dos motivos pelo qual saí de rede social aqui é porque precisava estar isolado no meu mundo. Quando a competição vai chegando eu vou afunilando e tirando cada vez mais coisas que não importam muito e priorizando o que é importante. Hoje foi o último momento em que estava eu e minha raia”, contou.

Desde o frustrante sexto lugar na final dos Jogos do Rio, ganhar uma medalha em Tóquio virou obsessão para Fratus e o nadador admitiu tomar cuidado para que não se criasse uma pressão exagerada. “Vocês sabem que eu tenho uma cobrança muito grande em cima de mim, então, às vezes, meu trabalho de psicologia é botar o pé no freio, calma, relaxa, não se cobrar tanto. Hoje, consegui não me cobrar tanto.”

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