Nilton Fukuda/Estadão
Nilton Fukuda/Estadão

Após 'chegar à lua', Gilvan mira uma final olímpica

Canoísta começou no esporte aos 12 anos, em projeto social, e nunca se imaginou na Olimpíada; agora quer mais

Paulo Favero, O Estado de S.Paulo

28 de julho de 2016 | 05h00

Se Isaquias Queiroz é a grande estrela na prova de canoa na canoagem brasileira, é no caiaque que os atletas querem mostrar evolução e provar o bom momento da modalidade no Brasil. A seleção deixou Curitiba e vai ficar em São Paulo até a véspera de competir no Rio, para aproveitar o inverno mais ameno. Gilvan Ribeiro, Edinho Silva e Ana Paula Vergutz querem seguir os passos do campeão mundial Isaquias e conseguir, no mínimo, chegar à final olímpica.

“A preparação está intensa e cada dia é muito importante. Fugimos do frio de Curitiba e viemos para São Paulo. Melhorou muito a qualidade dos treinamentos, o paulista reclama que está frio, mas para nós está ótimo. E temos de manter o foco até o final para não vacilar ou ter lesão que possa atrapalhar”, explica Gilvan, que começou no esporte por acaso.

“Quando estava em Santa Maria, no Rio Grande do Sul, queria ser jogador de futebol e atuar no Grêmio. Era criança e sonhava com isso. A vida foi para um lado totalmente oposto. Quando tinha 12 anos, estava em um projeto social na canoagem, e pensar em chegar na Olimpíada naquelas condições era muito difícil, era como ir à lua. Foi um trabalho de 15 anos e eu cheguei à lua”, conta.

Por isso, ele leva como lema uma frase de Rubem Alves que diz: “cheguei onde cheguei porque tudo que planejei deu errado”. A história de superação começou logo cedo, com a infância humilde. Gilvan lembra que nunca faltou o básico. “Somos de origem simples. Minha mãe era faxineira e meu pai era guarda, sempre estudamos em escola pública e praticávamos o futebol, que era o mais acessível.”

Ele conta que ele e seu irmão Givago, que também foi atleta da seleção de canoagem, tinham vontade de fazer natação ou jogar tênis. “Mas eram esportes de elite e não tínhamos acesso. Foi aí que surgiu o projeto social de canoagem e nós agarramos com todas as forças”, diz.

Há cinco anos Gilvan estuda a filosofia budista. Ele lê bastante, recita mantras e até fez uma tatuagem no braço. “Esse é o primeiro Buda e tem também uma espécie de demônio. São minhas sombras, que diariamente tento evoluir para transcender essa ignorância mental”, explica, apontando para o desenho.

Nos Jogos do Rio, ele formará dupla com Edinho Silva, seu parceiro no K2. O companheiro vê a parceria com grande expectativa. “O sucesso de uma dupla está no sincronismo. É quase um casal. O K2 se torna uma embarcação para um só pessoa. Dentro e fora da água precisa ter sincronia. Queremos buscar o melhor resultado nos Jogos Olímpicos”, comenta Edinho.

No feminino, a única representante da canoagem velocidade será Ana Paula Vergutz, que disputará o K1 200 m e 500 m. Ela vê como algo positivo o aumento da visibilidade da modalidade, graças às conquistas de Isaquias, e almeja chegar à final olímpica. Na orelha, o brinco dado por sua mãe serve de amuleto para ela brilhar no Rio. “A gente é católico e devoto de Nossa Senhora. Na última seletiva para conquistar a vaga ela me deu como presente e deu sorte”, conclui a atleta, que sonha com o pódio, mas mantém os pés no chão.

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