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Após feitos históricos, Rio-2016 se consolida como 'Jogos dos recordes'

Olimpíada do Rio já igualou número de melhores marcas conquistadas em Londres

Guilherme Duarte Jardim, Jose Roberto de Toledo e Rodrigo Burgarelli, O Estado de S.Paulo

18 Agosto 2016 | 05h00

Os Jogos Olímpicos Rio 2016 nem tinham sido declarados abertos e recordes já estavam sendo quebrados. O sul-coreano Kim Woojin estabeleceu novas marcas mundial e olímpica no tiro com arco na manhã de sexta-feira, dia 5, horas antes da cerimônia de abertura. Desde então, outros 107 recordes foram quebrados – e contando. O número deve crescer até domingo, principalmente por causa de Usain Bolt e o atletismo. Mas o destaque é o ciclismo.

Foram estabelecidos 26 novos menores tempos no ciclismo de pista no Rio, entre recordes mundiais e olímpicos. É um número 30% maior do que as 20 quebras registradas em Londres-2012 e 550% superior às quatro de Pequim-2008. Vários fatores contribuíram para o recorde de novos recordes: mais e novas provas e – dizem atletas e especialistas – o próprio velódromo.

Novo recordista olímpico do sprint por equipes masculina, o britânico Phil Hindes decretou: “Recordes olímpicos e mundiais estão sendo quebrados, é um velódromo rápido”. Ainda na fase de treinos, o sprinter australiano Patrick Constable explicou que cada pista é diferente, “e esta é definitivamente das boas”.

Duas variáveis são chaves para aumentar a velocidade das bicicletas em um velódromo: o piso e o ar. Não pode haver correntes de vento, e temperatura e umidade devem ser mais altas do que nas outras arenas. Isso diminui a densidade do ar e, por consequência, a resistência aerodinâmica do ciclista.

O piso é de pinho-siberiano, a madeira mais adequada para o ciclismo. No caso da do Rio, ela está lisa e sem ondulações. Mas antes de a competição começar, ciclistas como a campeã alemã Kristina Vogel estavam preocupados com o acúmulo de poeira e com o fato de a pista ser muito nova, o que poderia fazer com que a madeira não estivesse totalmente acomodada. A preocupação não se confirmou e os recordes foram sendo sucessivamente quebrados.

Nas primeiras três horas foram nove quebras: oito olímpicas e uma mundial. Mais do que o velódromo, o que provocou a chuva de novas marcas naquele dia foi a mudança da prova de perseguição por equipes feminina. Com uma ciclista a mais por time e um quilômetro mais longa, seu recorde estava zerado. Assim, praticamente a cada equipe que entrava no velódromo, um novo recorde era estabelecido. Foram seis em menos de duas horas.

Apesar das quebras sucessivas de um mesmo recorde, a rapidez do velódromo e a habilidade dos ciclistas, principalmente dos britânicos, foi o que fez a principal diferença no final. Nada menos do que 10 novos recordes de ciclismo de pista foram estabelecidos em seis dias de competição na Rio 2016.

No masculino, as novas marcas mundiais ou olímpicas quebradas foram velocidade individual, perseguição individual, sprint por equipes e perseguição por equipes. No feminino, velocidade individual, sprint por equipes (mundial e olímpico) e perseguição por equipes (mundial e olímpico). A Grã-Bretanha foi a maior vencedora e a maior recordista, como em Londres.

Como sempre, a natação registrou o maior número absoluto de quebras de recordes, porque tem um grande número de provas: 31. Mas foram menos do que as 34 de Londres e as 88 de Pequim. Em 2008, dois fatores provocaram a explosão de novos recordes: os trajes tecnológicos dos nadadores (banidos logo depois) e a piscina, que pela primeira vez em uma olimpíada tinha 3 metros de profundidade e sistema anti-ondas nas bordas.

NAS ÁGUAA piscina da Rio 2016 tem a mesma tecnologia e é tão rápida quanto as de Pequim e Londres. Mas não teve nenhuma novidade relevante em relação às duas anteriores. Além disso, há uma transição entre as gerações de Michael Phelps e de Katie Ledecky na equipe norte-americana. Enquanto ela quebrou quase tudo que tinha para quebrar, o maior nadador de todos os tempos ganhou seis medalhas, mas não estabeleceu novas marcas individuais.

Mesmo assim, os nadadores cravaram no Rio 20 novos recordes: 13 olímpicos e 7 mundiais. Entre eles, novas marcas para o revezamento dos 4 x 100 metros medley masculino (EUA), os 100 metros borboleta masculino (EUA), os 200 metros peito masculino (Japão), os 100 metros peito masculino (Grã-Bretanha), os 100 metros costas masculino (EUA), o revezamento 4 x 100 feminino estilo livre (Austrália), os 200 e os 400 metros medley feminino (Hungria) e o festival de recordes de Katie Ledecky.

O atletismo tem mais quatro dias de competições e novas quebras de recordes devem ocorrer. Até agora foram registradas 60% a mais do que em Londres: 8 a 5 – como a do recorde olímpico do salto em altura, quebrado pelo brasileiro Thiago Braz. Além desse, foram estabelecidos novos recordes olímpicos e mundiais para os 10 mil metros para mulheres, dos 400 metros para homens, do arremesso de martelo para mulheres – e o recorde olímpico dos 3 mil metros com obstáculos para homens.

As 109 quebras de recordes registradas até agora na Rio 2016 já equivalem ao número total registrado em Londres, mas estão abaixo das 168 de Pequim. Este é um número que dificilmente será batido, por causa do efeito tecnológico dos trajes da natação naquela competição.

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Guilherme Duarte, Paulo Favero e Rodrigo Bugarelli, O Estado de S.Paulo

18 Agosto 2016 | 05h00

São duas mulheres as recordistas de recordes quebrados até agora na Olimpíada do Rio. A chinesa Wei Deng, do levantamento de peso, e a americana Katie Ledecky, da natação, quebraram dois recordes olímpicos e dois mundiais cada nas modalidades que disputaram na cidade fluminense. As duas só são batidas por um time: a equipe britânica de ciclismo, que não disputa de maneira individual. Cinco recordes foram superados pela delegação da Grã-Bretanha na modalidade perseguição por equipes, somando as categorias masculina e feminina.

Ledecky foi o principal nome da natação nos Jogos Olímpicos no que diz respeito à quebra de recordes e foi embora do Rio com cinco medalhas na bagagem. Ela já chegou ao Rio como sensação das piscinas e provou isso principalmente nos 400 m e 800 m livre, quebrando seis marcas. No total, ela registrou dois novos recordes mundiais e olímpicos nessas provas, em que se sagrou campeã. “Eles existem para serem quebrados”, diz a atleta.

A façanha da norte-americana começou nas provas dos 400 m livre, quando nas eliminatórias marcou 3min58s71 e bateu o recorde olímpico, que era da francesa Camille Muffat. A marca anterior (4min01s45) foi feita em 29 de julho de 2012, nos Jogos de Londres.

Na final dessa prova, Ledecky nadou mais forte ainda e quebrou o recorde mundial e olímpico ao fazer o excelente tempo de 3min56s46, diminuindo quase em dois segundos os recordes anteriores, que era dela mesma (3min58s37). Curiosamente, o recorde anterior da atleta é também o recorde mundial júnior, que foi conquistado em 2014, quando ela tinha 17 anos.

Mas foi nos 800 m livre que a expectativa de quebra de recorde se confirmou conforme todos os prognósticos. A superioridade de Ledecky nessa prova é tão grande que ela não perde para qualquer rival desde que tinha 13 anos. No Rio, não foi diferente. Nas eliminatórias, bateu o recorde olímpico ao marcar 8min12s86 – a marca anterior era 8min14s10, dos Jogos de Pequim, feita por Rebecca Adlington.

“Nos Jogos de Londres, quando competi nos 800 m livre, fiquei impressionada por estar numa Olimpíada. Então tentei tomar isso como exemplo para chegar novamente a essa competição, treinando durante todo ciclo olímpico”, conta Ledecky, que ganhou o ouro quatro anos atrás na Olimpíada quando tinha apenas 15 anos.

E foi na final que Ledecky pulverizou todas as marcas dos 800 m livre, ao fazer 8min04s79, derrubando seu próprio recorde mundial, que era de 8min06s68, conquistado em janeiro deste ano. Existia, inclusive, a expectativa de que ela pudesse diminuir a marca pela primeira vez abaixo dos oito minutos, mas isso não aconteceu.

“Após o Mundial de 2013, eu me coloquei três metas para a Olimpíada: nadar em 3min56s ou melhor nos 400 m livre, quebrar a marca de 8min05s nos 800 m livre e ganhar o ouro nos 200 m livre. Consegui todos esses objetivos e agora tenho de pensar em novos”, afirma Ledecky.

Já nos 200 m livre, prova em que não é especialista, mas, mesmo assim, levou o ouro, ela chegou perto do recorde olímpico ao marcar 1min53s73 – o tempo, de Allison Schmitt, de 31 de julho de 2012, é 1min53s61

LEVANTAMENTO

Já Wei Deng ganhou a medalha de ouro na categoria de 63 kg do levantamento de peso feminino, mas quebrou dois recordes mundiais diferentes. Nessa prova, o vencedor é aquele que consegue levantar mais peso na soma de dois movimentos separados. O primeiro deles é o arranco, em que a barra deve ser erguida em um único movimento sem ser apoiada no corpo.

O segundo se chama arremesso: o atleta primeiro coloca a barra acima do ombro e, em seguida, a ergue totalmente acima da cabeça enquanto abre as pernas em forma de tesoura. A chinesa bateu o recorde mundial – e, consequentemente, o olímpico – tanto no arremesso, após levantar 147 kg, quanto no total, com carga de 262 kg.

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